Coisas e Gentes da Nossa Terra
CULTURA E DESPORTO
Casa do Povo de Santa Valha:
Essa Associação “ Casa do Povo de Santa Valha ” foi fundada por Escritura Pública de 16/04/2003 no Cartório Notarial de Valpaços e publicada em Diário da República de 23/06/2003 – DL Nº. 142, Suplemento III Série.
O seu objecto consiste em desenvolver actividades de carácter social, cultural, desportivo e recreativo.
NIF: 506548473
Elegeu pela primeira vez, 03/05/2009, os seus Corpos Sociais:
Presidente da Mesa da Assembleia Geral : Dr. Agostinho Alves Nogueira
Presidente do Conselho Fiscal: ————– Manuel Joaquim Dias
Presidente da Direcção: ———————– Prof. José Carlos Pereira Leite
Os Corpos Sociais foram eleitos para substituir uma Comissão Instaladora constituída anteriormente, Março ou Abril de 2003, que teve por missão legalizar a Associação, redigir os Estatutos, filiar Associados e marcar uma Assembleia-Geral. O primeiro Presidente dessa Comissão Instaladora foi Júlio José Teixeira, que em 28 de Março de 2009, fez a primeira convocatória informativa para solicitar a inscrição de associados. A segunda convocatória foi feita em 17 de Abril desse mesmo ano para uma reunião de Assembleia-geral a realizar em 03 de Maio de 2009, tendo como ponto único a eleição de todos os Corpos Sociais e informar os interessados das respectivas condições e regras para apresentação de listas.
Os novos Corpos Sociais eleitos em Assembleia-Geral de 03/05/2009 procederam de imediato à legalização dos Estatutos já aprovados pelos sócios, bem assim como deram seguimento a alguns trabalhos já iniciados por essa tal Comissão, tendo em vista conseguir a abertura do “Centro de Dia para Idosos” (cujas obras já estavam praticamente concluídas) através de administração directa, no âmbito do sistema das IPSS – Instituições Particulares de Solidariedade Social. No início de 2010 foi apresentado pela Direcção da Casa do Povo o Projecto à Segurança Social de Vila Real da criação da IPSS nos termos da Lei.
Também os novos Corpos Sociais filiaram algumas dezenas de associados mas não chegaram a exercer qualquer actividade a que se propunham inicialmente, por entretanto ter sido alterada a Lei que regia as IPSS e não conseguirem reunir condições, sobretudo ao nível de recursos económico e outros exigidos por lei a nível local. Foi realmente um trabalho e esforço inglórios.
Certo é que estamos em Fevereiro de 2014 e a obra lá continua por inaugurar, não se vislumbrando mesmo esse almejado dia, atendendo sobretudo a dificuldades económico-financeiras e sociais do Estado que se têm vindo a atravessar desde 2008 e, no meio local, não existirem recursos particulares para o fazer por administração directa como desejado pelo povo.
Esta situação não é caso único, existem muitas idênticas no Concelho do mesmo tempo de construção e á espera de inauguração.
Ranchos de Santa Valha:
A história do início dos Ranchos Folclóricos da nossa aldeia remonta ao ano de 1948.
“Rancho de Santa Valha” foi essa a primeira Colectividade de folclore e etnografia – não registada em Cartório Notarial – que existiu na nossa aldeia.
O grupo vestia e calçava um traje rural feito por cada participante que simbolizava as lides da lavoura da nossa região e foi dirigido e ensaiado por duas pessoas da aldeia de quem toda a gente gostava, José Maria (Cagigal) e Francisco dos Santos, respeitosamente conhecido por “Chico Volante”.
José Maria que emigrou para o Brasil em 1952, para além de ensaiar, escrever e compor parte das músicas, dançava, contava e era um excelente tocador de guitarra. Francisco Santos também com gosto e jeito para essas coisas tinha chegado do Brasil como emigrante duas décadas antes. Ainda há quem se recorde de uma bonita e boa grafonola que de lá trouxe.
Esse rancho acabou em de finais de 1952, provavelmente devido à saída para o Brasil do rapaz solteiro com talento de 29 anos, Zé Maria, barbeiro na aldeia, um dos maiores, senão o maior entusiasta pelas coisas da cultura e diversão alegre e saudável da nossa aldeia de todos os tempos como me contaram. A falta de apoio e de tempo do senhor Francisco depois a saída de Zé Maria terá em muito contribuído para esse rápido fim, uma vez que tinha um comércio com taverna na aldeia, para além de alguma lavoura e o tempo disponível era muito pouco.
Contaram-me ainda Benvinda Cagigal, minha mãe, para familiares e amigos Bendinha, que já conta hoje a bonita soma de 86 anos e a senhora Lucinda Cardoso de idade muito próxima, ambas dançarinas desse primeiro rancho, entre outras coisas, o seguinte: Que o grupo utilizava muito o modo ou forma de dançar “Baile de Contradança”, que era uma dança de ritmo rápido e compasso binário composto de várias secções de oito compassos que se repetem e que chegaram a actuar em arraiais de Sonim, Vilarandelo e Valpaços, tendo mesmo ganho o primeiro prémio numa actuação em Valpaços, prémio que nunca chegou a ser recebido por esquecimento ou outra qualquer falha da Câmara Municipal de então.
Uma das últimas actuações foi a presença numa festa em Valpaços destinada à angariação de presentes e fundos para o Hospital, recolha conhecida por “Cortejo de Oferendas”, onde todas as freguesias participaram. Era na altura Provedor da Misericórdia, dona do Hospital, o grande empreendedor Valpacense, Dr. Moutinho.
As deslocações para actuar fora de portas eram feitas a pé e a maior parte dos ensaios eram feitos numa divisão da casa dos Fernandes no pátio do bairro do Sobreiró e no armazém do senhor Francisco junto à sua casa e comércio, hoje casa de sua filha Margarida e genro Adelino Melo Alves.
Alguns dos cerca de trinta elementos incluindo cantadores e tocadores de que se recordam fazer parte o grupo: Mariazinha Lampaça, Benvinda e irmã Ana (Nana) Cagigal, Lúcia Santos, Lucinda e irmã Conceição Cardoso, Isabel Picamilho, Nair, Clotilde, Madalena e irmã Quinhota da Mata, Maria Morica, Glória Fernandes, Zé Maria (Cagigal), Alípio e José Cardoso, Amândio Maurício, Aniceto Picamilho, Artur Picamilho, José Domingues Franklim Barreira (Lúria), irmãos: Aníbal, Luís e Luciano (Ló) Castro, António Patrocínio Teixeira, irmãos: João e Toninho Vieira, Armindo Sarmento Vaz, José Mairos, Artur Domingues, e, entre outras e outros, um tocador de gaita-de-foles da aldeia próxima de Monte de Arcas.
Zé Maria ainda hoje (2016) reside no Rio de Janeiro, Brasil. Quanto ao senhor Chico Volante infelizmente já não se encontra entre nós. Em 1961 Deus chamou-o para morar junto dele.
Em 1953 atendendo ao vazio deixado pela desistência do rancho anterior, outras pessoas lançaram mãos à obra e criaram outro Rancho Folclórico – também não legalizado em Cartório – que vieram a denominar de “Contradança – Rancho de Santa Valha”, onde a primeira parte do nome originou da forma ou modo de dançar do rancho que lhe antecedeu e a restante herdada do nome do mesmo rancho.
O ensaiador era um alfaiate da aldeia, Manuel ..….., mais conhecido por Manuel Alfaiate, pessoa oriunda da região do Minho com algum jeito, mas mais ainda para a música, visto saber tocar por pauta ou partitura vários instrumentos musicais, particularmente violino, arte que terá aprendido em Lisboa. Era na altura também o mestre da Orquestra de Santa Valha.
Esse rancho também não veio a durar mais que dois ou três anos, por motivo de desavença pessoal – mais profissional que outra coisa – entre o ensaiador e uma ou duas pessoas da aldeia que o pretendiam substituir e dirigir eles o grupo.
Os ensaios eram feitos no bairro do Ciprestes na casa de Augusto Simão e no primeiro andar das instalações da antiga moagem do mesmo bairro e ainda no bairro e rua do Sobreiró na casa da Alípia Fernandes.
O grupo vestia o seguinte vestuário: Xaile preto, blusa branca, saia preta com barras verdes, avental muito florido e calçavam socos(as) com meias de lã, onde também cada um tinha que fazer o seu próprio vestuário.
A primeira actuação deu-se na nossa praça por altura da Páscoa, seguindo-se de outra em Valpaços em frente ao edifício da Câmara Municipal. O transporte para esse local foi na camionete de mercadorias de Lafayette Alves conduzida por Augusto Alves, vulgarmente conhecido por Augusto Cereeiro. O dia de carnaval na aldeia era de brincadeira e actuação obrigatória.
Foram estes alguns dos elementos do grupo: Duarte Picamilho, Duarte Mairos, José Joaquim Teixeira, Lúcia Santos, Deolinda Atanázio, irmãs Maria e Arminda Maia, Assunção Domingues, Aida Pereira da Mata e muitos outros e outras que terão certamente pertencido ao rancho anterior. O tocador de concertina foi Luciano de Castro (Ló) do bairro dos Ciprestes. Os restantes tocavam violino e realejo, todos eles da nossa aldeia.
A maior parte das memórias deste segundo rancho de outros tempos, foi-me contada por Maria Maia, “Micas” para familiares e amigos, antiga dançarina do grupo.
Em Maio de 2002, depois de meio século passado de boas e nostálgicas memórias e de um tempo alegre e divertido onde se cantava e dançava na rua e no campo, nasceu outra -nova- Associação, o “Rancho Folclórico de Santa Valha”, registado em Cartório por Escritura Pública três anos depois.
O fundador e impulsionador inicial foi Alberto Domingos da Silva, Alberto Carpinteiro como era conhecido e a primeira Direcção foi a seguinte: Olga Lopes Reis, Presidente; Josefa Tender Vice-presidente e Organizadora; Bárbara Eira, Secretária e António Gonçalves Araújo, Tesoureiro.
Ensaiadores desde o início: 1º. Manuel Murteira Rito de Vilarandelo, mas por muito pouco tempo, seguindo-se: Amândio José Ferreira Santinho de Valpaços, Manuel Teixeira de Deimãos mas a residir em Chaves e, por último, Josefa Tender da nossa aldeia que vem acumulando também o cargo de Presidente da Direcção.
Essa Colectividade tem-se vindo a manter até hoje -2016- muito viva e activa, com Josefa Tender e Bárbara da Eira ao comando há muito tempo, duas principais responsáveis pela próspera continuidade desse património folclórico e etnográfico da nossa aldeia, que tem sido, desde a fundação, a ser um importante embaixador fora de portas na promoção e na valorização dos valores e da cultura da nossa freguesia, das suas gentes e do nosso concelho.
*E é Isto mais um pedaço do acervo de memórias da nossa terra.
Santa Valha, ano de 2016.
RANCHO FOLCLÓRICO DE SANTA VALHA
“Associação Fundada por Escritura Pública de 30/03/2005 no Cartório Notarial de Chaves – Lv.Escrit.532-C – Dr. nr. 99/Suplemento Série III de 23/05/2005 – Titular do NIF: 507204638
BIOGRAFIA – HISTORIAL
O Rancho Folclórico de Santa Valha pertence, como o nome indica, à Freguesia de Santa Valha, Concelho de Valpaços e Distrito de Vila Real.
Santa Valha é uma linda aldeia, com duas pequenas aldeias anexas, Gorgoço e Pardelinha, situada num vale radioso, serpenteada por alguns ribeiros e rodeada de frondosos pinhais com alguns sobreiros de mãos-dadas. É uma aldeia transmontana essencialmente agrícola, rica em vinhedos, olivais e outras árvores de fruto, havendo também outras culturas menos geradoras de riqueza, que bastam as necessidades da sua gente, com destaque para a batata, milho, feijão, algum centeio e muita fruta variada. Nesse sector primário existe ainda apicultura em crescimento e criação de gado lanígero, atividade pastorícia com muita mais abundância no passado.
De uma conversa entre amigos à mesa de um café da aldeia, surgiu a ideia de criar um rancho folclórico que viesse a preencher algumas lacunas existentes no meio social e cultural de Santa Valha, entre elas, a necessidade de cativar a juventude para um convívio são e salutar de divertimento e para a preservação das nossas tradições, usos e costumes e da nossa história longínqua que remonta e nos faz regressar -por vezes- à época romana. São vários os símbolos existentes desse passado e desse importante povo, tais como: castro, cemitério cristão, altar-de-sacrifícios, fraga-parideira e outros mais,” situados todos eles num monte sobranceiro à aldeia, bem assim como vários lagares rupestres cavados ou escavados na rocha de fazer o vinho nesse e noutros locais dos montes da Freguesia, isto no que respeita aos mais jovens.
No tocante à geração menos jovem, particularmente a dos nossos avós, seria o reviver do tempo passado e, para a restante, o divertimento para aliviar algum cansaço do trabalho e do alegrar um pouco mais a sua vida. Também de certo modo, vir a preencher o vazio cultural etnográfico que existia na nossa aldeia desde o início da década de 1950, se bem que a duração anterior não foi longa. Á semelhança desse passado, continuamos a dar a conhecer a raiz do nosso povo e a vivência dos nossos antepassados.
Assim nasceu então o Rancho Folclórico de Santa Valha em “ Maio de 2002 “ que logo começou com intensas pesquisas de cantigas e bailados para o seu repertório e que teve a sua primeira atuação na romaria anual da nossa terra em honra de São Caetano no dia “ 8 de Agosto do mesmo ano de 2002 “, que tem como Orago ou Padroeira, Santa Eulália. Porém, só em “ 30 de Março de 2005 “ é que foi constituído oficialmente como Associação, por Escritura Pública lavrada em Cartório Notarial.
O fundador e impulsionador inicial do Rancho foi Alberto Domingos Silva. Teve como Presidente da Direção: Olga Lopes Reis; Vice- Presidente e organizadora: Josefa Tender; Secretária: Bárbara da Eira e Tesoureiro: António Gonçalves Araújo entre outros elementos dos restantes corpos sociais e demais colaboradores.
O elenco é constituído por dois grupos ou sectores. O grupo de cantadores e tocadores de instrumentos típicos, tais como: concertina, acordeão, viola, cavaquinho, bombo, pandeireta, reque-reque e ferrinhos, entre outros, e o belo e brilhante grupo de “dançarinos”, constituído na sua totalidade por jovens.
Vestem todos eles trajes típicos dos lavradores da nossa região assim composto, mulheres: blusas e saias de chita e riscado de cores alegres, lenços na cabeça e aventais, homens: calças de cotim e camisas de riscado, chapéus pretos e calçam todos socos ou botas ou bailam/dançam descalços.
Os dançarinos dançam lindas modas ou cantigas antigas ao som de instrumentos e vozes dos tocadores e cantadeiras, tais como as seguintes cantigas: Margarida Moleira, Rapazes à frente, Verde-gaio, Vira-cruzado; Ó Rita arredonda a saia, Saia-velhinha, Lavadeiras e tantas outras.
Nas suas atuações o grupo exibe instrumentos da lavoura e do quotidiano doméstico, usados ao longo do tempo, como, por exemplo: engaço ou ancinho, malho, foice, enxada e sempre com as cabaças do vinho pendentes ao ombro ou à cinta, tendo em conta que a “ qualidade do vinho ” da nossa terra sempre marcou a diferença na excelência deste produto em todo o nosso concelho, atendendo sobretudo ao excelente microclima existente, solo, método e castas tradicionais milenares herdadas dos nossos antepassados, certamente a maior parte delas do tempo do povo romano que por cá passou e se instalou, deixando importantes vestígios como atrás referido.
Acompanha sempre o rancho a sua bandeira. Na bandeira “ primitiva ” está referido o símbolo ou logotipo oficial da Associação ou Coletividade. Nela, encontram-se reportados os produtos agrícolas mais característicos da nossa aldeia e freguesia: um cacho de uvas, um raminho de oliveira e um cordeiro. As cores principais que constam nesse símbolo são: o “ roxo ” que representa a uva e o vinho, e o “ verde e preto “ que representa a oliveira; a azeitona e o azeite, dois produtos nobres da nossa freguesia. A cor restante é o “ branco sujo ” que representa a cor do cordeiro e a purificação da vida.
Desde a sua fundação o rancho tem atuado um pouco por todo lado, ou seja: desde norte a sul de Portugal, passando pela Ilha da Madeira e terras de França, facto que nos motiva, que nos deixa orgulhosos e que nos dá força para continuar.
Resta acrescentar todavia, que ao longo de todas as atuações, o rancho elevou e valorizou sempre o nome da nossa Freguesia, a sua cultura e as suas tradições, fazendo deste modo jus à intenção para o qual foi criado; educar, divertir e ocupar sãmente os tempos livres da juventude, levando-os a conhecer outras terras, outras gentes e outras realidades e também alegrar e aquecer os corações dos mais velhos que assim se divertem e vão recordando os tempos belos e nostálgicos da sua mocidade.
E é isto um pedaço da história deste Rancho e da nossa terra.
Saudações etnográficas.
RANCHO FOLCLÓRICO DE SANTA VALHA
“Associação Fundada por Escritura Pública de 30/03/2005 no Cartório Notarial de Chaves – Lv.Escrit.532-C – Dr. nr. 99/Suplemento Série III de 23/05/2005 – Titular do NIF: 507204638
BIOGRAFIA
O Rancho Folclórico de Santa Valha pertence, como o nome indica, à Freguesia de Santa Valha, Concelho de Valpaços e Distrito de Vila Real.
Santa Valha é uma linda aldeia, com duas pequenas aldeias anexas, Gorgoço e Pardelinha, situada num vale radioso, serpenteada por alguns ribeiros e rodeada de frondosos pinhais com alguns sobreiros de mãos-dadas. É uma aldeia transmontana essencialmente agrícola, rica em vinhedos, olivais, árvores de fruto e ainda, apicultura e pastorícia.
De uma conversa entre amigos à mesa de um café, surgiu a ideia de criar um rancho folclórico que preenche-se algumas lacunas existentes no meio social e cultural de Santa Valha, entre elas, a necessidade de cativar a juventude para um convívio são e salutar de divertimento e para a preservação das nossas tradições, usos e costumes e da nossa história longínqua que remonta à época romana.
Também de certo modo, vir a preencher o vazio cultural etnográfico que existia na nossa aldeia há mais de meio século, se bem que a duração anterior não foi longa.
Assim nasceu então o Rancho Folclórico de Santa Valha em Maio de 2002, mas só em “30 de Março de 2005” é que foi constituído oficialmente como Associação ou Coletividade.
O grupo veste trajes típicos dos lavradores da nossa região e, nas suas atuações, exibe instrumentos da lavoura e do quotidiano doméstico, usados ao longo do tempo.
Acompanha sempre o rancho a sua bandeira, logotipo da Associação. Nela, encontram-se reportados os produtos agrícolas mais característicos da nossa aldeia e freguesia, tais como: um cacho de uvas, um raminho de oliveira e um cordeiro. As cores principais que constam nesse símbolo são: o “ roxo ” que representa a uva e o vinho, e o “ verde e preto “ que representa a oliveira; a azeitona e o azeite, dois produtos nobres da nossa freguesia. De referir que a qualidade do vinho da nossa aldeia sempre marcou a diferença na excelência deste produto em todo o nosso Concelho.
A cor restante é o “ branco sujo ” que representa a cor do cordeiro e a purificação da vida.
Desde a sua fundação o rancho tem atuado um pouco por todo lado, ou seja: desde norte a sul de Portugal, passando pela Ilha da Madeira e terras de França, facto que nos motiva, que nos deixa orgulhosos e que nos dá força para continuar.
E é isto um pouco do que se nos oferece dizer sobre este Rancho e a nossa terra.
Saudações etnográficas e obrigada/o.
GRUPO DE CANTARES “MEMÓRIAS DE SANTA VALHA”
N.I.F : 508333237
( Fundado por Escritura Pública de 27-11-2007, Publicada no Portal da Justiça de 2007-12-10 )
BIOGRAFIA DO GRUPO:
Por iniciativa de Felisberto da Mata, realizou-se em 01/05/2005 na nossa aldeia, uma pequena festa destinada a comemorar o “Dia da Mãe”, que em Portugal se festeja todos os anos no primeiro domingo do mês de Maio.
Para esse efeito, o senhor Felisberto, entendeu, que seria oportuno e até engraçado, convidar um grupo de mulheres, todas elas de mais de meia-idade, para lhes ensinar umas cantigas, a fim de fazer parte do reportório da festa.
No seguimento desse evento e porque a actuação que tinham feito foi muito bem acolhida por toda a comunidade, o mesmo grupo, composto por 12 senhoras, reuniu entre si, incentivadas e apoiadas por várias pessoas da comunidade, para discutir da possibilidade e disponibilidade para se organizarem como associação cultural, tendo somente a intenção de reavivar memórias e cantar cantigas antigas, que se cantavam outrora na freguesia por homens e mulheres, não só em dias de descanso, como também em trabalhos no campo, para esquecer a sobrecarga da jorna de sol-a-sol.
Foi então, a partir dessa data, constituída “verbalmente” a associação e se deu início à sua actividade cultural, ainda com algum apoio de Felisberto, mas só nos primeiros ensaios, tendo em conta que se tratava de uma pessoa mais vocacionada para outras actividades culturais. Também a Junta de Freguesia foi muito importante, particularmente na oferta, entre outras, do fardamento para actuação em eventuais eventos que o grupo de cantares viesse a participar, não esquecendo, é claro, outros donativos e ajudas várias de particulares.
Inicialmente foi constituída uma Comissão Administrativa, presidida por Aida Pereira da Mata, que, para além de líder, era ao mesmo tempo ensaísta, em virtude do jeito que sempre conservou para estas tarefas. A maioria das cantigas do reportório (letra, música e melodia) foi-lhe ensinada por sua mãe, Maria Cândida dos Santos (conhecida na aldeia como Srª. Quinhinha), falecida em Fevereiro de 2007 com 91 anos de idade, que também teve, ao longo da sua vida, certo jeito melódico para cantar cantigas populares antigas que fizeram parte do seu e do nosso passado, continuando a manterem-se vivas na actualidade e a fazerem parte da nossa identidade cultural. Era na realidade uma Senhora de muita afabilidade, de excelente memória e até de humor, que nos deixou nostálgica saudade na sua convivência.
Pela Comissão Administrativa inicial, foi aprovado a denominação do grupo, com o nome: Grupo de Cantares “Memórias de Santa Valha”, as cores e modelo a utilizar em vestuários de cerimónia para as futuras atuações, sendo as cores bordeaux e preto as eleitas, e ainda, a cor rosa-claro e referências da bandeira, sendo esta, futuramente, o logótipo/símbolo do grupo. Mais tarde, 27-11-2007, foi lavrado em Cartório Notarial a escritura pública de constituição com o estatuto de Colectividade Cultural sem fins lucrativos, bem assim como eleitos os primeiros Corpos Sociais, com Cândida Rocha Santos a presidir na Direção e admitidos os primeiros sócios.
Todavia, a partir do ano de 2006 e por razões contrárias à sua vontade, o Grupo começou a festejar o dia do aniversário, não na data da sua fundação (01 de Maio) ou no dia comemorativo inicial (Dia da Mãe), mas sim no mês de Junho, fazendo coincidir esta com o domingo mais próximo das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.
Foram estes os 12 elementos iniciais do Grupo: Cândida C. N. Rocha Santos; Ainda Santos Pereira Garcia da Mata; Olga C. Polide da Mata; Helena Mota Teixeira, Helena Castro Fontoura Lopes; Alzira da Conceição “Cardoso”; Marta da Assunção Teixeira Ribeiro; Arminda Maia; Maria Helena Barrosão; Cândida Augusta Dias Alves Fernandes; Elsa Cardoso e Julieta Fernandes da Mata.
Porta – Estandarte: Jéssica Patrícia A. Fernandes – Madrinha da Bandeira: Maria Luiza Atanázio.
Santa Valha, 18 de Fevereiro de 2008
Autor: Amílcar Rôlo – (Nota: Dados colhidos junto de elementos do Grupo.)
Sala de Teatro da Abadia e Outras:
A sala de teatro funcionava numa dependência da Casa Paroquial, também conhecida nessa altura por “Abadia”, muito perto da Capela de São Miguel, do lado esquerdo da entrada principal. Por volta de 1962 ou 1963, um incêndio nocturno destruiu essas instalações, que posteriormente vieram a ser demolidas. Para além de várias peças teatrais realizadas por gente da nossa aldeia até essa data, foram realizadas ainda algumas curtas peças ambulantes de circo e teatro.
Nas instalações da antiga moagem situada no bairro e rua dos Ciprestes, que ainda hoje existem, chegaram a realizar-se também nessa época, para além de alguns bailes domingueiros, várias actividades culturais, tais como, teatro e circo. Ainda há quem se lembre da peça teatral “ Amor de Perdição”. Mais tarde, chegou a ser habitação no primeiro andar.
Também há ainda quem se recorde de algumas curtas peças de teatro e circo ambulantes que se realizaram até finais da década de 40, numa de dependência de armazém, propriedade na altura de Francisco Santos “ Xico (V)Bolante, sogro de Adelino Melo Alves, onde actualmente se encontra a sua casa de habitação e Mini-mercado e em finais da década de 50 ou início de 60 numa dependência da casa dos Fernandes (páteo) no bairro do Sobreiró, hoje casa de habitação de Maria Fontoura.
Conjunto/Orquestra Musical:
Apesar de em 1970 ou nos primeiros anos dessa mesma década já ter actuado na nossa festa em honra de São Caetano um pequeno conjunto de música popular portuguesa, oriundo de Mirandela, chamado “ Os Tuelas”, cujos mordomos foram: António Patrocínio Teixeira, António dos Santos Rolo, Domingos Serafim Mosca Pires, Augusto Ervões e (Aniceto Picamilho?), contratado por 2.500$00 (12,50€), o primeiro Conjunto Musical/Orquestra a sério a actuar na nossa festa de São Cetano foi no ano de 1976.
O Conjunto Musical chamava-se “ Os Icebergues), era oriundo do Porto (São Mamede Infesta) e o palco ficou instalado no pátio da Casa Paroquial, junto á escada da habitação, espaço com a área de superfície muito superior à de agora, dado na altura ainda não existir a actual Sede da Junta de Freguesia, nem o jardim contíguo.
Dada a fama que granjeou entre nós, veio a actuar mais duas ou três vezes nas festas da nossa terra e conquistou prestigiosamente outras actuações no nosso Concelho e Região. O músico/cantor muito conhecido em Portugal, “Luís Portugal”, a residir e actuar (na altura) num Conjunto Musical (regional) de Chaves, foi contratado por esta Banda (Icebergues) numa actuação que a Banda fez em St. Valha.
No ano seguinte, em Santa Valha, já integrava esta Banda como vocalista principal. Mais tarde, este vocalista, veio formar e liderar a Banda Musical muita conhecida (líder de Tops) em Portugal, denominada por “ Jáfumega”. No primeiro ano de actuação em St.Valha, a Banda foi contratada à margem da Comissão de Festas, pelos conterrâneos (jovens) António Neves (Tótó) e Amilcar Rôlo (Lilo), que se deslocaram ao Porto para a contratar.
O contrato foi para as noites de sábado e Domingo, rubricado pelo montante de 9.000§00 – nove mil escudos -, (muito caro na época – preço de agora 45 euros -), mas as entradas e a novidade publicitada, fizeram com que os bilhetes, (sessenta escudos), se esgotassem rapidamente. Dada a brilhante actuação e os fundos angariados, que excederam a expectativa, foi oferecida uma gratificação extra aos elementos do Conjunto de dois mil escudos. A parte restante (sobras), nove mil escudos, foi posteriormente doada à Junta de Freguesia.
De referir também que os elementos do (Staf) Conjunto (9), ficaram alojados gratuitamente em casas particulares da aldeia, quer a nível de dormidas e alimentação, e que os bilhetes de entrada foram impressos manualmente em cartolina, com a colocação de um carimbo, com os seguintes dizeres: “ Beba Vinho da Adega Cooperativa de Valpaços”. Muito original….!!!. Nas futuras deslocações que fizeram a St.Valha, esta Banda, sempre teve uma especial atenção económica com a Comissão de Festas.
Até à presente data, nunca mais a nossa terra recebeu um Conjunto Musical com tanta apresentação em palco, charme, profissionalismo, e categoria musical. Os Santavalhenses dessa época, jamais irão esquecer os “Icebergues”.
Orquestra Musical de Santa Valha:
Na década de 1950, houve uma famosa “Orquestra Musical” em Santa Valha.
Os músicos que a compunham eram os seguintes:
Toninho Vieira: Violino
Duarte Picamilho: Clarinete e Violão
Fernando Mosca Pires “Mascimenta”: Violino
José Teixeira (Arrobas): Bandolim
Amândio e Luís Reis: Bandolim e Violão
António Alfaiate: Violino e Violão
Manuel Alfaiate: Mestre da Orquestra. Tocava todos os instrumentos musicais
Todos os elementos que compunham esse grupo tocavam por pauta musical/partitura ensinada e ensaiada pelo chefe/mestre Manuel “Alfaiate” (conhecido por este nome, por ter sido alfaiate na nossa aldeia), em virtude de ter vindo (penso) de Lisboa e ter sido lá mestre de algumas bandas de musicais.
Contaram-me ainda algumas pessoas, sendo uma delas um antigo elemento desse grupo, Fernando Mosca Pires (Nascimenta), que esta orquestra tocou inúmeras vezes para bailaricos na praça, chegando ainda a actuar também em festas de aldeias vizinhas.
Houve também nesse tempo, outros tocadores de guitarra, viola, harmónio (instrumento anterior á concertina), concertina e realejo: José Maria Cagigal, Armindo da Conceição, Luís de Castro “Ló”, Zé Barrosão, os irmãos: Ernesto, Teófilo e Duarte Mairos, João Alves (de Pardelinha), mais conhecido por João da Amélia, etc., e ainda, Adamastor Fontoura e Artur Domingues, este último, mais conhecido entre nós pelo “ Praça ou Zé Velho”, ambos bons em realejo, mas mesmo só tocando de ouvido, eram também bons animadores de bailaricos domingueiros e até de serenatas nocturnas.
Algum tempo mais tarde, década de 1960, bons acordeonistas, Julieta Videira e sobrinho Francisco Videira Rocha (Médico). Todavia, alguns aprendizes teimaram sempre ao longo de muitos anos, em saber tocar concertina, como: os irmãos Leandro e Joaquim Amendoeira e Agostinho Mosca Pires (Nascimenta) e outros mais.
Orquestra da Pancadaria:
Muito antes da década de 1950, chegou a haver em Santa Valha uma orquestra musical. Essa orquestra tinha como nome *Banda da Pancadaria* e mostra como as gentes da freguesia eram nesse tempo alegres, empreendedoras e com sensibilidade apurada na área da cultura musical. Trata-se da escritura de um contracto feito em 07 de Novembro de 1893, no Cartório Notarial de Fiães, perante o tabelião João Evangelista Alves, com o seguinte texto:
“ Os seguintes indivíduos: Manuel Luís Alves, casado, barbeiro; José Cândido da Mata, casado, jornaleiro; Manuel António Gil, solteiro, jornaleiro; Manuel Joaquim Carvalho, solteiro, jornaleiro; Pio José, casado, tamanqueiro; António Gonçalves, casado, proprietário; Manuel António Contins, solteiro, tamanqueiro; José Maria Cagigal, casado, Ferreiro; Luciano do Nascimento Teixeira, casado, taberneiro; António Miguel Picamilho, casado, jornaleiro; José António Barreto, casado, jornaleiro; José Manuel Picamilho, casado, jornaleiro. Todos de maior idade, residentes em Santa Valha, reconhecidos por mim, tabelião, e testemunhas adiante nomeadas e assinadas, perante as quais disseram que eles outorgantes compraram instrumentos para uma banda de música no valor de cento e vinte e oito mil reis a fim de se instituírem nessa arte, e vêm incluir na presente acta as condições seguintes: ………………… “
Nota – Quem estiver interessado em ler a parte restante deste texto, encontra-se na “pág. 200” do Livro: Santa Valha – História e Património de Maria Aline Ferreira (Drª.) -, publicado em 2017, apresentado publicamente em 09 de Abril desse mesmo ano no Auditório do Pavilhão Multiusos de Valpaços e integrado no programa da Feira do Folar.
Campo de Futebol:
O primeiro Campo de Futebol ou da bola que existiu na nossa aldeia até final da década de 1950 ou início de 1960, foi numa propriedade de Laudemira da Conceição Ferreira da Cunha (Cagigal), (avó materna do “Lilo”, entre outros) conhecido pelo Campo das Lages, e o penúltimo, foi no lugar do “Cruzeiro”, junto à Capelinha do Senhor da Boa-morte, terreno pertencente Germelindo Augusto Atanázio, pai de João Atanázio entre outros. Tanto um, como o outro, eram arrendados a troco de uma renda anual paga em centeio ou dinheiro.
Ainda há muitos que se recordam, de um campo de futebol construído na Cerca, propriedade agora dos herdeiros de Cândido dos Santos, mais concretamente situado por detrás da casa de Eduardo Quintela, agora vinha e olival, junto à estrada que dá a Pardelinha, propriedade esta, que umas décadas antes, chegou a pertencer à Igreja/Casa Paroquial, por doações de paroquianos, e que lhe foi roubada e/ou vendida ilegalmente a uma família de Fornos do Pinhal, António Gonçalves Pereira.
Esse campo foi construído por um grande grupo de pessoas, que, por volta de 1950, tomaram a propriedade da Cerca de assalto, por não concordarem com a venda ilegal, através de documentos falsos, mas que tiveram que ceder de imediato, por força das autoridades e da justiça. (Facto contado na íntegra no Link” Memórias: Assuntos Religiosos”). O campo chegou ainda a funcionar um ou dois anos, até a justiça sentenciar a entrega/devolução da propriedade ao comprador.
Alguns desportistas de então que jogaram nesse campo: Lafaiette Alves, Manuel Guedes, Ernesto Pereira, Aníbal Barreira “50”, Francisco Batista “Roque”, Osvaldo Fernandes, António Moreiras “Periquito”, “Quim “ da Teresa”, Albano e Ângelo Sarmento, Mário Picamilho, Maneca Ribeiro, Armindo/Armando(?) Sarmento Afonso, e ainda, alguns jovens da Casa/Solar dos Aciprestes (Sarmentos), entre outros. A maioria desses jovens também participou na revolta e tomada de posse das terras acima referidas e os líderes foram: Lafaiette Alves e Manuel Guedes.
No Campo das Lages chegou mesmo a existir um pequeno “tasco(a)” erguido em madeira, onde se vendia bastante vinho, algumas bolachas, tremoços ao cartucho (cone feito de papel de jornal ou outro) e rebuçados, guloseimas conhecidas por “Catraios”. Esse pequeno negócio no monte pertenceu a José Maria “Cagigal” (barbeiro de profissão, exímio tocador de guitarra e cantor popular) que emigrou para o Brasil em 1952. Após essa data, só se vendia vinho, transportado em cântaros, remeias ou regadores. Nunca havia mais de dois ou três copos de vidro para dar de beber a uma centena, ou mais, de jogadores e assistentes, e a lavagem não era necessária.
As bolas, eram na altura, de couro “ Capão”, como se chamavam, e tinham um “pipo”, para extrair a câmara-de-ar quando era necessário remendar por furo; a maioria jogava descalço. O primeiro equipamento de futebol da aldeia teve as cores do Futebol Clube do Porto. Foi comprado pela Dª. Tute na cidade do Porto no ano de 1958. Era um equipamento completo (camisola calção, meias, botas e bola) e a juventude para agradecer, (des)escavou-lhe dois anos seguidos as vinhas gratuitamente.
Os responsáveis da manda de uma pequena parte dos custos, foi tirada por Mário Picamilho e Artur Feijão.
Disseram-me que esse equipamento, estreado no campo das Lages, veio a ser vendido passados dois anos para Barreiros por António Teixeira (comerciante), mais propriamente ao Sr. Sequeira do comércio/taverna, mas não se recordam da justificação e/ou motivo da venda. O segundo equipamento teve as cores do Leixões Sport Club (camisola e meias com riscas verticais vermelhas e brancas e calções brancos), foi comprado no ano de 1976, também com dinheiro dado pela juventude.
A construção e inauguração do actual campo de futebol deu-se entre 1977 e 1978. O terreno foi adquirido pela Junta de Freguesia presidida por Osvaldo Fernandes Ribeiro à Dª. Helena Lobo, (ambos já falecidos), propriedade agrícola, onde existiu uma vinha e bastantes cerdeiros.
Algumas quadras populares da década de 1950, cantadas pelo povo, ao nosso conterrâneo Lafaiette Alves, pessoa que toda a gente gostava, conceituada, de reconhecida idoneidade e liderança na nossa aldeia. Foi jogador, treinador e árbitro da equipa da nossa terra.
*Senhor Lafaiette defenda a bola, – Não tenha medo de sujar a camisola, – Não tenha medo de sujar a camisola!.
A camisola é azul e verde, – Senhor Lafaette!, não deixe furar a rede. (Idem).
O Rio do Calvo já vai vazio, – Falta um minuto para acabar o desafio. (Idem).
*Com todo este passado recheado de nostálgicas memórias, o futebol também é uma manifestação cultural como se pode ver.
Associação Recreativa e Cultural e Melhoramentos de Santa Valha:
Em 18/05/1988 foi constituída a “ Associação Recreativa e Cultural e Melhoramentos de Santa Valha ”, por escritura pública, lavrada no Cartório Notarial de Valpaços, fls. 92/vº a 94/ vº. do Livro 106-B, publicada no Diário da República (DR), Nr. 166 de 20/07/1988, III Série, tendo por fim a prática de algumas modalidades desportivas e culturais, tais como: Futebol, voleibol, andebol, ciclismo, musical, teatro e folclore.
Essa Associação nasceu para substituir uma Comissão criada em 20/06/1983, denominada “Comissão de Melhoramentos da Freguesia de Santa Valha”, Comissão essa que nunca chegou a ser legalizada, e o seu presidente “provisório” foi o presidente da Junta de Freguesia de então, Manuel Guedes
Consta-se, que na altura, foram atribuídos a essa Comissão, mais tarde Associação, vários subsídios de várias entidades do Estado, destinados a melhoramentos de infra-estruturas do desporto e cultura e outras ajudas ligadas principalmente à prática do futebol. Também se consta, que a construção da sede da Associação, agora sede do Rancho Folclórico, foi subsidiada por verbas do Estado atribuídas do mesmo modo.
No âmbito dos Estatutos da Associação, foi criada a “Secção de Futebol”, com o nome oficial de Grupo Desportivo de Santa Valha, com as modalidades de seniores, juvenis e iniciados, mas só estas duas últimas (iniciados e juvenis) é que foram federadas, tendo o clube vindo a participar no Campeonato Distrital da Associação de Futebol de Vila Real, na época de 1988/1989. O presidente da Direcção foi também Manuel Guedes, também presidente da Junta de Freguesia.
No Site oficial da Federação Portuguesa de Futebol (www.fpf.pt) Link: Família do Futebol – Clubes, consta na época desportiva de 1988/1989 o nome do Grupo Desportivo de Santa Valha.
Já quanto à modalidade sénior (não federada), organizou e participou unicamente em alguns torneios de futebol particulares, cessando a actividade em 2002 ou 2003 por falta de apoios e diminuição progressiva da juventude.
Foram estes os últimos directores da Secção de Futebol: Joaquim Leite Contins, Paulino Maximiniano Vergueira Ervões e Fernando Martins Rôlo.
Tal como já anteriormente tinha referido, o anexo da Sede da Junta, que serviu em tempos de Sede da Secção de Futebol, oficialmente denominado Grupo Desportivo de Santa Valha, agora Sede do Rancho Folclórico e Posto de Análises foi construído com dinheiros/subsídios dados por Entidades Públicas, particularmente do desporto, canalizados através da Associação Recreativa e Cultural e Melhoramentos de Santa valha, atrás referida.
Essa associação foi reactivada em 2013 ou 2014 pela Comissão de Festas de Stª. Valha em honra de São Caetano, presidida ou liderada na altura por Mário Picamilho Barreira, atendendo a que passou a ser obrigatório as Comissões de Festas estarem integradas em Associações/Colectividades culturais sem fins lucrativos devidamente constituídas para poderem exercer a actividade.
Nota – Deixo aqui cópia de dois cartões de atletas federados do nosso Grupo Desportivo:
Arménio Rito Domingues e Carlos Manuel Vergueira Contins. Época – 1988/1989
Caça e Caçadores:
Ontem, tal como hoje, o futebol e a caça continuam a ser o principal desporto praticado na nossa aldeia.
Antigamente, ou seja, até meados da década de 1970, a caça era abundante nos nossos montes, nomeadamente coelho e perdiz, onde estas espécies podiam ser caçadas todos os dias, sem qualquer restrição de quantidade e local para caçar, desde o início do mês de Outubro, até finais de Dezembro.
Nessa altura, as redes e o furão, animal (já) proibido no exercício da caça, nunca deixavam de acompanhar as equipas de caçadores de coelhos. As boízes, esparrelas, costelas e ratoeiras e outras armadilhas artesanais de caça, tais como laços e lousas, etc., faziam parte dos apetrechos caseiros de alguns para caçar perdizes e outras aves e animais no monte. Até mesmo o perdigão na gaiola de chamariz era companhia de alguns. Mesmo assim, a caça era muito abundante como atrás referido. Os caçadores davam quase sempre o mesmo nome aos furões que utilizavam na caça, “Papalbos/Papalvos ou Ferreiros”, dependendo da cor mais clara ou mais escura do animal, se bem que os “papalb(v)os” dizem ser animais mais dóceis. Também quem chegasse a matar um lobo era considerado um grande caçador e até herói na terra e redondeza. Felizmente que esta espécie em vias de extinção está protegida por uma lei de 1988, regulamentada posteriormente, Abril de1990.
Até ao início do século XIX, o urso, chegou a fazer parte dos animais silvestres da nossa freguesia. Exemplo ainda vivo da sua estadia na nossa aldeia, são alguns colmeais ou silhas dos ursos com alguns ainda lhe chamam, construídas nos montes no século XVII de forma rudimentar em granito e formato circular e fechado. Serviam para proteger as colmeias (cortiços) e o mel, dos ataques gulosos dos ursos. (Obs.: Ver espaço Agricultura/Lavoura).
A caça menor não fazia grande esforço para se alimentar, tendo em conta que os terrenos agrícolas estavam todos semeados pelos lavradores, assim como os nascentes e poços estavam sempre limpos para os animais beberem. Os rios, ribeiros e regatos também não secavam, e as doenças nos animais eram quase nulas, para além do vírus da mixomatose nos coelhos, mais conhecida por nós por “Xamorro”, que começou a aparecer no início da década de 60 em todo o território nacional, mas que a maioria dos animais se safava. Os pinhais e os matos estavam limpos sempre limpos, e por esse motivo os incêndios quase não existiam.
Por volta de 1976, com o aumento significativo de praticantes dessa actividade desportiva, atendendo sobretudo ao regresso dos caçadores das ex-colónias, e ainda de algum já poder de compra dos portugueses, houve, por parte do Estado, alterações à legislação do exercício da caça. As armas de um e dois canos de carregar pela boca, de percussão de cães de pequenos calibres, e os cartuchos carregados e fechados (rebordeados) à mão, com pólvora negra, “farelos de centeio”, e papel de jornal, a servirem de buchas de plástico, começaram a ser encostadas progressivamente na prateleira.
A partir dessa data, e tendo em conta que já existia algum esforço ou sobrecarga cinegética no terreno, o exercício da caça passou só a poder ser praticado às quintas, domingos e feriados nacionais. Também o limite máximo diário de perdizes a abater, passou a ser fixado em cinco, e algumas pequenas aves, deixaram de poder ser abatidas, por já começarem a estar em vias de extinção.
Sucederam-se posteriormente outras significativas alterações à legislação do sector da caça, como a Lei nr.30/86, de 27 de Agosto de 1986, tida como a principal e primeira lei após o 25 de Abril de 1974, que veio restringir também o exercício de mais algumas espécies de caça, e a criação das primeiras reservadas de caça condicionadas, associativas e turísticas. Depois desta, outras alterações à lei da caça se seguiram, como a Lei de 173/99, de 21 de Setembro, etc, etc..
Os javalis, depois de algumas décadas desaparecidos dos nossos montes, começaram novamente a marcar presença em meados da década de 80, e as primeiras correcções de densidade, por prejuízos na lavoura, iniciaram-se passados dois ou três anos.
Atendendo à sucessiva e progressiva degradação do património cinegético, quer por alguma culpa dos amantes deste desporto, quer, acima de tudo, por leis governamentais quase anualmente criadas, a maioria, por incompetentes alguns que nunca saíram dos gabinetes ministeriais e outros, o desporto da caça foi-se deteriorando ano após ano, e o território livre, onde outrora se podia caçar com muita abundância e sem quaisquer restrições, foi-se perdendo em todos os aspectos.
Ainda e para complementar, a doença hemorrágica viral (HDV), que afecta gravemente o coelho, começou a aparecer na nossa região, por volta dos meados da década de 90, se bem que o seu aparecimento na Europa se deu a partir de 1988, contribuindo também e de algum modo, para o desaparecimento da espécie cinegética mais caçada.
Em 2000, Já com a caça a “bater (mesmo) no fundo”, atendendo ao património cinegético nacional totalmente desbastado, o Ministério da Agricultura, (já sem saber o que fazer) veio novamente a legislar através pelo Decreto-Lei nr.227-B/2000, de 15 de Setembro, para entregar a política/ organização da caça, aos caçadores, pressionando os caçadores de todo o país, a organizarem-se urgentemente, no sentido de ser substituído o terreno livre, por terreno ordenado, e os caçadores constituírem “reservas de caça” próprias, com a seguinte denominação e regulamentação: Zonas de Caça Municipais, Associativas, ou Turísticas.
Foi assim então, que em 30 de Agosto de 2001, no Cartório Notarial de Boticas, foi constituído o Clube de Tiro, Caça e Pesca do Vale do Rabaçal, publicado no D.R. III Série, nr. 248, 2º. Suplemento de 25/10/2001, com o objectivo de criar urgentemente junto da Direcção Geral das Florestas, a Zona de Caça Municipal do Vale do Rabaçal (ZCM), que veio a ser aprovada através do Processo nr.3210 – DGRF, publicado na Portaria 1317-D/2002, de 03 de Outubro, integrando inicialmente terrenos das freguesias de Santa Valha, Barreiros e Tinhela e, mais tarde, Agosto de 2005, pela Portaria nr. 762/2005, de 31 de Agosto, I Série B, terrenos da freguesia de Nozelos, ficando assim a ZCM, com 4.862 hectares de actividade cinegética ordenada. Quem liderou nessa data o processo da constituição do nosso Clube de Caça e da criação da zona de caça (ZCM) foram: Manuel Augusto da Silva Barreira (Dr.) e Jorge Manuel Mata Pires (Engº.).
Lembro aqui alguns bons caçadores de outros tempos: Décadas de 30, 40 e 50 do século XX, Manuel Maria Pereira (Vila-real); José Joaquim Rôlo (avô paterno do Agenor, Fernando, Lilo, entre outros; Décadas de 50, 60 e 70 = José Contins, mais conhecido por “Zé Caxinhas”; Amadeu Moreiras (Pedreiro); Francisco Santos Rôlo (Xico Rôlo) e Filipe Dionizio do Nascimento (Palheiras). Uns anos mais tarde, ou geração que lhes seguiu: Amílcar Rôlo(Lilo), António Rodrigues, Agenor Rolo, Fernando Gaudêncio Araújo, Herculano Nascimento e Luís José Rolo.
Em Dezembro 2010, destes seis afamados caçadores da nossa terra, cuja maioria infelizmente já não se encontra entre nós, só, Francisco Rôlo, com o seus 80 anos de idade, é que ainda vai dando uns tiros e matando uma ou outra peça de caça. Deixou de caçar na época venatória seguinte, por dificuldade num joelho ao andar.
A primeira arma de caça na freguesia, (mais conhecidas por espingardas ou caçadeiras), sem ser de carregar pela boca, ou de precursão com cães, chamada nessa época de “arma mocha”, pertenceu, no início da década de 50 do século XX, ao mais “afamado” caçador de outros tempos da nossa aldeia, o melhor entre os melhores, como ainda muitos o consideram; chamava-se José Joaquim Rôlo (Zé Rôlo), falecido em 30/11/1961 com 61 anos de idade, e que morou no Bairro do Pontão. Essa arma de caça, era de canos paralelos (justapostos), de calibre 12, e tinha a marca Augusto-Francote. A segunda arma do mesmo género vista na nossa aldeia, pertenceu a Amândio Lopes, ex-Presidente da Junta de Freguesia, que a trouxe de África, no início da década de 60. As armas de canos sobrepostos, só começaram a aparecer na nossa freguesia, em meados da década de 70.
Disseram-me, que foi um tio seu de Pardelinha, chamado de Manuel J. Rôlo, muito rico, que residia no Porto, que a comprou, e que lha ofereceu, e que nunca lhe faltava material com abundância para carregar as suas armas (polvorimento) e cartuchos já carregados de fábrica, que eram na altura muito escassos e novidade só para ricos, material oferecido pela sua irmã, que morava também no Porto e pessoa de posses.
Contaram-me também, que esse afamado caçador, quando ia à caça, e que não matava um cinto cheio de perdizes, não era considerado por ele, um bom dia de caça, e que tinha sempre bons cães, quer perdigueiros, quer de coelhos, e até um perdigão, que por vezes levava para o monte numa gaiola de madeira, para servir de chamariz.
Era habitual até à década de 1960, alguns caçadores, usarem nos montes perdigões como chamarizes de caça, se bem de já proibidos pelo Estado nessa época, para chamar a um certo e determinado lugar as perdizes, atirando-lhes um tiro para as matar sem qualquer dificuldade.
Também ainda me contaram, que há muitos anos atrás, antes da década de 40, houve dois caçadores, Mariano da Mata, e ainda, Manuel Maria Pereira, este último, mais conhecido por “Ti Vilareal”, que morava no bairro dos Ciprestes, pai do sogro de Victor Neves e Adriano da Mata, que também praticava esse método para caçar perdizes. Contaram-nos ainda, que as perdizes por si caçadas, antes de serem cozinhadas, eram penduradas pelo bico numa trave da adega ou cozinha, lugar mais fresco da casa, sem a (única) tripa, que era extraída do interior do animal, com uma ou duas penas das asas apertadas por nó. Quando as perdizes penduradas se despegassem/separassem do pescoço em relação ao restante corpo, é que estariam com o paladar ideal para serem cozinhadas e comidas.
Já tinha ouvido falar desse método a várias pessoas, incluindo alguns caçadores mais antigos, que também o faziam. Também nos coelhos, como não havia luz eléctrica, nem frigoríficos na época para os conservar, tiravam as tripas aos animais e enchiam esse espaço com ervas aromáticas (mato) do campo, conhecido por “bentrastos”, e penduravam-nos em lugares da casa mais frescos.
Havia sempre bastantes mais caçadores de coelhos do que perdizes, atendendo às fracas armas de caça que existiam na altura, à forma como se caçava e, acima de tudo, ao tal “polvorimento”, para carregar as armas, que o valor da jeira de trabalho recebido (quando havia) pela maior parte deles, não chegava para alimentar o lar, quanto mais para o comprar.
Santa Valha, 01-03-2011
Nota: A Zona de Caça Municipal (ZCM) Procº. 3210-ICNF administrada pelo Clube foi extinta em Abril de 2017 em deliberação de Assembleia-Geral do Clube, passando os terrenos cinegéticos que a integravam a serem administrados pela Associação Clube de Caça e Pesca de Vilarandelo, Procº. 2999-ICNF, com excepção dos da ex-Freguesia de Barreiros. O motivo da extinção, deveu-se ao facto de não haver entre os associados ninguém com capacidade e disponibilidade para a administrar a ZCM tendo em conta as exigências regulamentares por parte do Estado e o senhor Amílcar Rôlo, presidente da Direcção do Clube desde 2008, se mostrar indisponível para continuar nos Corpos Sociais do Clube.
“Caça e Caçadores, Junho de 2017”.
Santa Valha, dados colhidos entre os anos de 2008 e 2018. / Amílcar Rolo
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ASSOCIAÇÕES DE SANTA VALHA |
| RANCHO FOLCLÓRICO DE SANTA VALHA
Edifício Junta de Freguesia – Avª. Principal 5430 – 233 SANTA VALHA Telef: 278 759 219 – 934272210 – 962995742 NIF – 507204638 – Fundação: Por Escritura Pública de 30-03-2005 A Associação tem por fim ou objecto a divulgação dos usos e costumes Etnográficos da Região Valpacense.
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| GRUPO DE CANTARES MEMORIAS DE SANTA VALHA
Edifício Edifício Junta de Freguesia- Avª. Principal 5430 – 233 SANTA VALHA Telef: 278 Telef.: 278759 577 – 278759298 NIF – 508333237 – Fundação: Por Escritura Pública de 27-11-2007 A Associação tem por objecto “Recolha de letras de canções antigas que eram cantadas essencialmente durante a execução dos trabalhos agrícolas e nas lidas caseiras, desenvolvidas nesta região e dá-las a conhecer ao público em geral através de actuação do seu grupo de cantares”. |
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CLUBE DE TIRO CAÇA E PESCA DE VALE DO RABAÇAL
Edifício Junta de Freguesia – Avª. Principal 5430 – 233 SANTA VALHA Telef: 278 729 128 – TM: 962524733 NIF – 505407531 – Fundação: Por Escritura Pública de 30-08-2001 O Clube tem por objecto a prática da caça e da pesca em geral de forma planeada e controlada e, nesse âmbito, a gestão e a administração de zonas de caça nas suas formas legais e ainda o fomento das espécies cinegéticas e piscícolas, bem como o exercício de outras modalidades desportivas, consentâneas com o tiro com armas de caça, zelando e cuidando, simultaneamente, pela conservação e equilíbrio das espécies vivas da natureza e do meio ambiente. |
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| ASSOCIAÇÃO RECREATIVA CULTURAL E MELHORAMENTOS DE SANTA VALHA
Edifício Junta de Freguesia – Avª. Principal 5430 – 233 SANTA VALHA Telef: 966 406 743 – 278759570 NIF – 504943030 – Fundação: Por Escritura Pública de 18-05-1988 A Associação tem por fim a prática do futebol, voleibol, andebol, ciclismo, musical, teatro e folclore. |
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Não Existe |
CASA DO POVO DE SANTA VALHA
Edifício Junta de Freguesia – Avª. Principal 5430 – 233 SANTA VALHA Telef.: 278759570 NIF – 506548473 – Fundação: Por Escritura Pública de 16/04/2003 O seu objecto consiste em desenvolver actividades de carácter social, cultural, desportivo e recreativo. Nota: Sem qualquer actividade desde a fundação. |
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| ASSOCIAÇÃO CULTURAL E RECREATIVA “ VINHO, FOLAR E ROCK AND ROLL “
Largo do Eiró s/n 5430-230 Gorgoço – Telem: 924218053- 963689532 (SANTA VALHA) NIF: 517484242 – Associação Criada em 18-07-2012 – Fundação: por Escritura Pública de 18-04-2023 – DUNS: 449719737 – CAE:94991 Nota:1º. Concerto no rio com a Banda “Punks Rurais/PadariaGang” em 07-07-2012 – 1º. Festival no rio: 06-07-2013. |
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