Quinta da Teixogueira

Teixogueira

(Um paraíso abundante em tudo…,)

Localizada entre Santa Valha e Fornos do Pinhal, junto ao limite, a Quinta da Teixogueira, distancia cerca de dois quilómetros da sede de freguesia, Santa Valha. É circulada por enormes terrenos de cultivo, num local soalheiro e calmo.

Foi antigamente propriedade do “Morgadio da Quinta da Teixogueira”, assim correctamente denominado: “ Costa Homem – Morgadios de Valpaços, da Quinta da Teixogueira e do Nosso Senhor Jesus Cristo Ecce Homo ”, sendo esse em Santa Valha descendência de  D. Jerónimo de Morais Castro e de D. Maria Antónia de Morais Castro.

Propriedade agrícola, com cerca de 30 hectares, mais tarde (penso que por volta do início da década de 40) pertencente ao Sr. Professor Carolino Augusto Afonso e esposa Dª. Clotilde Augusta Ferreira Sarmento Afonso, casados em Santa Valha em 1919. Foi adquirida pelo Sr. Professor, parte, por herança da mãe da esposa, Dª. Clotilde e de sua irmã  (Dª. Marquinhas e Dª. Augusta), e a outra parte, por compra a uma outra irmã, a Dª. Margarida Isilda Calvão Ferreira de Macedo Sarmento, pelo valor de 360 contos (agora 1800 €), muito dinheiro nessa época. O professor, que era oriundo de Carção, Vimioso, faleceu  por volta de 1966.

Anteriormente a quinta pertenceu aos senhores Augusto Alves Ferreira da Silva e sua esposa Dª. Maria Sarmento Ferreira da Silva.

Era abundante em tudo que era agricultura, em particular, o azeite e o vinho, onde o seu famoso néctar chegou a atingir 17,5 de grau de alcoolemia, batendo o recorde no Concelho.  Os lagares rupestres – origem romana – por perto a norte e a sul, são certamente a prova inequívoca dessa excelente qualidade. Também as frutas de toda a qualidade, as terras semeadas de regadio e sequeiro, e ainda,  os  pastos para o gado e alguma floresta, enchiam essa enorme e abundante quinta.

No tempo do então Prof. Carolino, nascido e batizado em  Santa Maria, de Bragança e estudado para leccionar  o ensino primário oficial, profissão que exerceu desde muito novo (1917) em Santa Valha,  até à aposentação (1953), essa Quinta, era o sustento económico de várias famílias, tendo em conta que dava trabalho (jorna diária) a várias pessoas da nossa aldeia. No registo matricial rústico, constam as áreas de 14.425 m2, respeitante à “parte acima a poente do caminho” e, 275.670 m2, à “parte abaixo a nascente”.

No tocante à parte urbana, (parte abaixo) destaca-se a enorme moradia, composta por habitação, pátios, currais, logradouros e capela – mandada construir em 1834 por Francisco António da Costa Homem, residente nesta quinta, por devoção particular, com todos os utensílios e paramentos para nela se dizer missa, conhecida (penso eu) no antigo Morgadio por capela, que consta ter  tido no altar a imagem de “São Pedro” como padroeiro e sítio de sepultura de familiares do Morgadio, para além da Capela do Cruxifixo ou Santo Cristo na igreja matriz de Santa Valha – e ainda, mais a poente e a norte (parte acima), uma outra pequena habitação também com terrenos anexos; partes divididas pelo caminho vicinal que liga Santa Valha a Fornos do Pinhal.

A casa principal, não obstante possuir todas as condições de habitabilidade senhorial por ter sido outrora propriedade e residência de morgados, os proprietários nunca lá chegaram a residir. Houve sim alguns caseiros e criados que lá habitaram, mas penso ter sido em aposentos anexos ou outras dependências.

Por volta do início da década de 2000 desapareceu um antigo e bonito cruzeiro com a imagem de Cristo esculpida na pedra que se encontrava situado junto ao caminho na entrada principal do casario da quinta. Disseram-me ter sido o proprietário anterior (Sr. Cunha) que o retirou antes de vender a quinta e o levou para o Porto. Também há ainda quem se recorde de ter existido outro cruzeiro no mesmo caminho a cerca de duzentos e tal metros a sul do anterior, ou seja, no fim do muro que cerca a quinta, mais precisamente na divisória do nosso termo com a freguesia de Fornos do Pinhal, mas ninguém sabe explicar onde foi parar esse tal cruzeiro.

Já quanto à pequena casa e terrenos anexos que atrás referimos, essa sim, foi residência de um dos seus (oito) filhos, “o mais novo, menos estudado e mais virado para a lavoura”,  António Augusto Sarmento Afonso (Toninho da Quinta, como era conhecido),que a herdou por testamento, de sua tia Maria Augusta ou Marquinhas,” irmã de sua mãe após a morte de seus pais. Foi habitação até ao falecimento do casal na  década de 1990 e, posteriormente,  de alguns dos seus filhos,  até ao início da década de 2000. Actualmente encontra-se desabitada.

Para além desta próspera Quinta, o Prof. Carolino e Esposa Dª. Clotilde, nascida em Luanda em 04-10-1988, tendo 30 anos quando se casou com o senhor professor eram proprietários de vários outros prédios rústicos e urbanos. Contaram-me, que diariamente e após as aulas era habitual  o senhor professor dar volta aos seus terrenos para observar o trabalho diário dos seus jornaleiros.

O casal teve os seguintes filhos: António Augusto Sarmento Afonso, nascido em 1920; Maria Emília Sarmento Afonso; Margarida Isilda Sarmento Afonso, nascida em 03 de Maio de 1923; Fernando Augusto, nascido em 15-09-1924; Armindo Augusto Sarmento Afonso, nascido em 08-07-1926; Maria da Conceição, nascido em 16-10-1927; Manuel António Sarmento Afonso, nascido em 01-01-1931, casada com Isaura da So(a)udade dos Inocentes e Maria Emília Sarmento Afonso, nascida em 08-10-1921 e casada a 02-08-1949 com Jorge Pimentel Calçada de Fornos do Pinhal, filho de Manuel António Calçada e de Maria Cândida Teixeira Pimentel. Nota: Esta informação familiar encontra-se descrita nas páginas 303, 304 e 305 do Livro “TOMO II” – Famílias Transmontanas– Descendência de Francisco de Morais Palmeirim (Ligações Familiares e Outras Famílias de Trás-Os-Montes – Livro de Francisco Xavier de Morais Sarmento – Ano de 2001).

A partir de 1966, data do falecimento do Senhor Professor, a actividade agrícola e as instalações da habitação, começaram a degradar-se sucessivamente, vindo, mais tarde, no ano de 1974, a maior parte (Quinta de Baixo) a ser vendida pelos herdeiros do professor, passando já por três proprietários.

O actual dono (desde 2003) é o Senhor Dr. Amílcar Barreira Fernandes (Advogado), com residência no Porto e em Fornos do Pinhal, que tem vindo progressivamente e gradualmente a recuperar, toda a parte rústica e urbana da Quinta. É pena que a recuperação urbana não seja feita de modo a enquadra-la num espaço de turismo rural/habitação, já que tem todas as potencialidades para esse fim.

Amílcar Rôlo – Fevereiro de 2009