Escola EB1 de Santa Valha

Para recordar …,

EDUCAÇÃO PRÉ-ESCOLAR – 1º. CICLO DO ENSINO BÁSICO:

A Escola do 1º. Ciclo do Ensino Básico de Santa Valha, antiga escola primária edificada em 1962 no tempo do Estado Novo, encontra-se encerrada desde o ano lectivo de 2005/2006, devido, sobretudo, à falta de alunos na nossa freguesia. Em outros tempos – 1917 a 1962 – os alunos eram até demais, obrigando a existir duas instalações escolares púbicas independentes em Santa Valha, uma, só para os rapazes, situada no bairro dos Ciprestes, e outra, para as raparigas, no lugar das Adufas, numa dependência da Casa Paroquial (Abadia) com uma média por escola ou sala superior a 45 alunos e, onde, entre outros, leccionaram o professor Carolino Afonso e a Dª. Margarida Silva ( Dª. Guidinha), respectivamente, não esquecendo também a existência das escolas públicas mistas das anexas do Gorgoço e Pardelinha onde as crianças também abundavam.

No entanto, ainda se mantém em aberto, mas já não nas instalações da escola, o ensino da Educação Pré-escolar “ Jardim de Infância, agora Pré-primária, a funcionar com meia dúzia de crianças. Esta actividade escolar foi transferida para o rés-do-chão da Sede da Junta de Freguesia em 02-01-2009, em virtude das instalações da escola antiga irem ser necessárias ao bom funcionamento do Posto Médico, numa das salas, e, a outra, como sala de apoio e convívio ao futuro (Lar) Centro de Dia, por imposição da Direcção Regional de Saúde e do Centro Regional de Segurança Social, respectivamente.

A abertura do Jardim de Infância surgiu com o encerramento da Tele-escola. Foi criado em 1986, por iniciativa da Autarquia local e pelo empenho e dedicação do presidente da Junta de então, senhor Manuel Guedes, que logo após o encerramento deste sistema de ensino à distância aproveitou o pavilhão disponível (pré-fabricado) para instalar esta actividade escolar, que posteriormente, se passou a chamar Pré-primária “Educação Pré-escolar do 1º. Ciclo do Ensino Básico”. Durante esse funcionamento, recebeu sempre o apoio financeiro da Junta de Freguesia e Direcção Escolar de Vila Real.

Nota: O pavilhão (pré-fabricado), que acima nos referimos, foi demolido para dar lugar às futuras instalações do Centro de Dia.

(Santa Valha, 1 Março de 2009)

 

HISTORIAL

Até por volta do ano lectivo de 1975/1976, a escola pública de Stª. Valha, construída e inaugurada em 1962 no tempo do Estado Novo e enquadrada no projecto de edificação do “Plano dos Centenários”, estava dividida em 2 salas, com entradas e recreios também independentes, destinadas, uma, a rapazes, e outra, a raparigas, como era obrigatório.

Nessa época, dada a enorme quantidade de alunos (mais de 50 de cada sexo), a escola era leccionada por dois professores (as), com horários de segunda a sexta-feira de manhã e de tarde, e aos sábados, só de manhã. A manhã de sábado destinava-se a limpar a escola com vassouras de giesta por nós feitas, arranjar o pequeno jardim, de igual modo tarefa dos alunos, cantar algumas cantigas e, no final, hastear a bandeira, com cântico obrigatório do Hino Nacional.

Existiu também inicialmente na escola, “escola nova” como lhe chamávamos, outra tarefa destinada aos alunos mais velhos, que era a seguinte: havia uma bomba manual com um volante de ferro de extrair e puxar água instalada na fonte do pontão que servia para trazer a água para os dois depósitos que forneciam as duas casas-de-banho dos rapazes e raparigas, e essa bomba, era normalmente manuseada pelos alunos mais fortes……. entre eles, destaco, o meu particular amigo António Vilardouro (Bilhó) que na altura já tinha uma estatura e/ou estrutura física elevada, superior à maioria da rapaziada. Essas casas-de-banho deixaram de ser utilizadas pelos alunos passados (+-) dois anos, ou pouco mais. A partir desse tempo a rapaziada passou novamente a fazer as necessidades como anteriormente nos terrenos agrícolas circundantes, mais propriamente no da Abadia.

Mais tarde, e a partir de 1976, a tarefa da limpeza da escola, deixou de ser feita pelos alunos e foi substituída pela admissão de uma funcionária auxiliar de educação, a Srª Laurinda Picamilho, que se veio a aposentar em 2007. Contaram-me que a senhora Laurinda foi uma funcionária muito responsável, meiga para com todos e muito dedicada aos alunos, que gostava de conservar com muito carinho todo o material escolar que existia em arquivo desde a inauguração, incluindo mesmo outro que já vinha das antigas instalações.

Nessa época, o ano lectivo a nível nacional iniciava-se sempre a 06 de Outubro. Antes de iniciar diariamente os trabalhos escolares, era costume os alunos e o professor (a) rezarem uma oração, pedido a Deus, não só o perdão das faltas, mas também para que o dia escolar fosse proveitoso, começando assim: (Jesus, Divino Mestre, dominai a minha inteligência, para que eu seja bom cidadão, fiel a Deus e Cristão …………….…………….., seguido de um Pai-Nosso e uma Ave-maria.

Em Santa valha, existiram quatro instalações escolares do antigo “Ensino Primário”:

Ensino Particular Misto: Contaram-me, que a primeira “escola” da nossa aldeia, mais propriamente uma de sala de aprendizes de alfabetização, se situava no bairro do Pontão, numa pequena divisão de uma casa contígua à da família Mosca Pires, propriedade do professor Abel Acácio de Carvalho Moutinho e mais tarde antiga residência do senhor Manuel Catalão, entre outros anteriormente, agora propriedade de António Garcia da Mata, Toninho Polícia como respeitosamente lhe chamamos ou de familiares a residir no Brasil (?), hoje desabitada e a aguardar serenamente obras de conservação e restauro. Não era mais que uma pequena divisão a acolher um número reduzido de aprendizes de ensino particular, numa aldeia e sede de freguesia cheia de gente como tantas outras, onde, há um século atras, o aprender a ler e escrever era secundário.

Essa antiga e pequena sala ou divisão de aulas funcionou na própria habitação do professor Moutinho, conhecido pelo “primeiro professor de Santa Valha”, desde a década de 1870, até por volta de 1910, ano da transição do velho regime monárquico para o actual republicano. No entanto, por volta de 1910 a 1915, pouco mais ou menos, esteve a nossa aldeia privada desse tal importante ensino primário por ter adoecido esse senhor professor Moutinho que casou por volta de 1860 em Santa Valha com Elisa Josefa Fernandes.

Dos poucos antigos e de boa memória já ninguém se lembra de ter ouvido falar ou contar, se a professora Dª. Maria Palmira, que substituiu o professor Abel  Moutinho por doença em 1915, se ainda chegou a ensinar a ler e escrever nessa casa particular do professor, recordam-se sim, que essa senhora, deu aulas em uma ou outra casa de habitação. Recordam-se ainda que no tempo da professora Palmira os exames de passagem eram feitos em Fornos do Pinhal, porventura já feitos pelo professor e examinador Arnaldo Pereira, e a tradicional festa do galo já existia.

Nessa sala ou escola, como os antigos a apelidavam, aprenderam as primeiras letras e números vários ilustres filhos da nossa terra, como: o Sr. Capitão Baltazar Castro, seu irmão Dr. Aníbal Castro que foi Juiz em Lisboa mais suas irmãs, o Dr. António Pinto “Fernandes?”; ainda o Sr. Benjamim Picamilho e a Srª. Belmira Fernandes, entre outras, gente de quem já muito poucos se lembram na nossa aldeia. Nesse tempo, em que se tinha de ter algumas posses para aprender, só poucos tinham acesso a saber ler e escrever, faltava (quase) tudo e o que mais sobejava era a miséria e a pobreza, obrigando mesmo alguns pais com mais necessidades a mandarem os filhos logo após a instrução primária e na tenra idade para casa dos lavradores mais abastados para servirem de paquetes, como me contaram.

Em conversa com pessoas mais idosas, foi-me dito, que se constou ter havido mais professoras particulares nessas quase duas primeiras décadas do século XX, como a professora Rosa Lima, natural da nossa terra e até mesmo outras pessoas já com alguma cultura, que, mais ou menos, iam ensinando a ler e escrever em casas particulares, como, por exemplo, na casa que agora pertence ao Sr. António Araújo no bairro do Pontão e na Abadia ou Casa Paroquial no tempo do início sacerdotal do padre João, entre outras. As primeiras escolas oficiais públicas da nossa aldeia (Ciprestes e Adufas) só começaram a leccionar a partir de 1917.

Ouvi dizer ainda a essas pessoas idosas, que se constou noutros tempos, que até pouco mais de meados do século XIX (1870?), na agora casa de habitação do falecido senhor João Fernandes (Pedrinho)  e esposa Dª. Alice Evangelista em frente à sede da Junta de Freguesia e traseiras da capela de S. Miguel chegou a mesmo a funcionar uma casa de ensino de padres e os  exames a serem feitos em Bragança, mas certeza desse antigo ensino não existe. Que também nessa mesma habitação chegou a ser uma casa de cultura, onde incluía uma banda de música (filarmónica?), cujos ensaios eram feitos numa sala que ardeu, da qual há ainda vestígios, e que essas instalações pertenciam na altura à Casa Paroquial ou Abadia.

Mas foi com o “professor Abel Moutinho” e na sua residência no largo de cima bairro do Pontão”, perto do início do caminho que vai dar às Lages e Pala-furada, que por volta de 1870 a 1883 se deu o início à alfabetização na nossa aldeia, num tempo em que até 1910 ou um pouco mais,  a palavra “Eschola” – que proveio do latim Schola – se escrevia.

Nota: Foi isto o que a gente mais idosa diz saber, por ter ouvido contar a seus pais e avós, sobre primeira alfabetização e ensino primário (básico) da nossa aldeia.

 

Escola-Oficial Pública: Dos rapazes” como era na altura conhecida. Situava-se no bairro dos Ciprestes, agora casa de habitação da Srª. Cândida Pereira e filho Mário António Pereira Neves, instalações alugadas (casa e escola) pelo proprietário de então Sr. António Pereira à Câmara Municipal de Valpaços, com pagamento de uma renda mensal no valor de 40 escudos, tendo sido a Dª. Maria Palmira a primeira professora a leccionar nessa escola até ao ano de 1917.

Há quem diga que o primeiro professor a leccionar nesta escola masculina do bairro dos Ciprestes foi o professor Abel Moutinho depois de ter encerrado a sua escola particular situada na sua casa no bairro do Pontão. No ano de 1900 foi nomeado pela Junta de Freguesia para fazer o recenseamento da população da freguesia.

Seguindo-se o jovem Prof. Carolino Augusto Afonso, natural de Carção, Vimioso (Bragança) que veio com cerca de 20 anos de idade, aposentado em 1953. O Professor Carolino casou em Santa Valha com Dª. Clotilde Sarmento, tiveram 6 filhos e chegou a ser um dos maiores proprietários agrícolas da nossa aldeia. Faleceu por volta de 1966. Sucederam-lhe várias professoras agregadas até chegar o professor Nelson Coelho Martins, tais como: Dª. Augusta Martins (Agostinha), Dª. Mimi, Dª. Matilde, Dª. Odete, e Dª. Maria Cândida Moreira Lopes.

No período entre 1953 a 1956 funcionou paralelamente nessa escola o ensino nocturno para adultos, com o intuito de ensinar e/ou melhorar a aprendizagem dos mais analfabetos de um povo muito pouco escolarizado. Contou-me o ex-aluno João Atanázio, na altura com 18/19 anos, que, para além dele, eram mais de vinte homens e mulheres a aprender. Contou-me ainda, que para além de outros, se recorda dos colegas Abel Barros (Cantoneiro) e  Augusto Ervões (Soqueiro) e que as professoras eram a Dª. Maria Cândida e Dª. Nini e, ainda, que o examinador era o Delegado Escolar professor Arnaldo Pereira natural e residente em Fornos do Pinhal.

O Prof. Nelson deu em 1959 as instalações da escola como incapazes para leccionar por ameaçarem ruínas. A média de alunos, por ano, era de 45 a 50 rapazes. Inicialmente as instalações dessa escola (sala de aulas e casa anexa para a professora) foram oferecidas/cedidas pela Srª. Dª. Constancinha Videira (tinha começado a separação dos sexos no ensino), que também a mandou mobilar com carteiras e secretária própria para o ensino e não recebia qualquer renda do espaço. Era tudo de gratuito. A sala de aula tinha por fora a seguinte inscrição bem visível: ESCOLA OFICIAL DO SEXO MASCULINO – ANO DE 1915. Mais tarde (+- 1943) veio então a vender essa casa ao Sr. António Pereira, continuando a ser escola, mas já com pagamento de renda – já atrás referido -.

Recordo-me de até há duas décadas atrás, de no exterior da escola e junto à entrada, existir uma pia grande de pedra que recebia a água que sobejava do pequeno poço do pátio que diziam ter vindo do cemitério primitivo do Casal ou Santa Olaia aquando da plantação primitiva da vinha, que mais se assemelhava à tampa de um sarcófago, onde o professor Carolino obrigava alguns alunos mais descuidados a lavar o pescoço e as orelhas. Hoje, essa parte do túmulo encontra-se no interior do pátio.

Escola-Oficial Pública: Das raparigas até 1959, seguindo-se mista até 1962. Situava-se junto à estrada na Curva das Adufas em frente ao café Barreira, instalações que já não existem, por terem sido demolidas em 1975/1976, aquando do alargamento da estrada (já em piso de alcatrão) e que outrora pertenciam à Casa Paroquial “na antiga sala do tear”.

Essas instalações foram cedidas gratuitamente pela Paróquia e mandadas mobilar pela Dª. Constança Videira e por um cidadão de Pardelinha de nome Manuel José Rolo, que residia no Porto, pessoa muito rica; essa escola, na fase de construção das novas e actuais instalações, ainda chegou a ser mista e começou oficialmente a funcionar a partir do ano de 1917. A primeira professora oficial foi a Dª. Maria Clotilde de Carvalho Moutinho, que leccionou apenas um ano, sucedendo-lhe a professora Dª. Eufrasina de Jesus Soares desde 1918 a 1937. Essa professora foi a instrutora das nossas avós, atendendo que muitas delas, naquele tempo, passaram pela sua escola.

A maioria dos alunos ficou com o exame do 2º. Grau, como era designado naquele tempo. Seguiram-se outras professoras, – Dª. Eufrasina, Dª. Berta, Dª. Estrelita, Dª. Lídia e Dª. Miquelina – até chegar a vez às descendentes. Veio a Dª. Elisa (da família Moutinho), e a Dª. Ana Augusta Mesquita, (natural de Tinhela) conhecida também por Dª. Nini (filha da Dª. Eufrasina), primando sempre pela mesma qualidade de ensino, mas permaneciam apenas um a dois anos no mesmo local.

Em 1950 é a vez de uma ilustre filha da terra se formar em Bragança – a menina Guidinha -, pois era assim que era tratada na nossa aldeia. Começou a leccionar apenas com 18 anos, muito jovem. Veio para Santa Valha em 1956 e aqui permaneceu até à sua aposentação em 1988. A professora Guidinha, de nome verdadeiro Maria de Lurdes da Silva Barreira, deu aulas na escola feminina das Adufas durante 5 anos e fez a transição em 1962 juntamente com o professor Nelson Coelho Martins dessa velhinha escola, para a nova do bairro do Pontão acabada de ser construída.

Conta a história que nessas antigas instalações realizaram-se antigamente algumas reuniões da Junta de Freguesia. No antigo regime, não havia, nos termos da Lei, o órgão de Assembleia de Freguesia. Conta ainda, que se chegaram também a realizar há muitas décadas atrás algumas reuniões da Junta na Capela de São Miguel e que até costa isso numa ou outra Acta antiga.

Escola-Oficial Pública: A nova escola primária situada no início do bairro do Pontão foi edificada e inaugurada em 1962 no tempo do “Estado Novo”, em terreno pertencente à Abadia ou Casa Paroquial, edificação no âmbito do “Plano dos Centenários (1941/1969). Tinha duas salas de aulas e recreios independentes para os rapazes e raparigas. Veio dar lugar às duas antigas e pequenas instalações escolares situadas nos lugares da curva das Adufas e do bairro dos Ciprestes já muito degradadas e sem o mínimo de condições para acolher o ensino primário, hoje denominado de ensino básico.

Esta escola registou desde o início elevada frequência de alunos. Por aqui passaram vários professores  e professoras. Porém, a que permaneceu mais tempo foi a Dª. Margarida Lurdes Silva Barreira, “Dª. Guidinha” como chamava-mos, com 32 anos de serviço, incluindo o tempo de serviço na escola das Adufas. A professora  Artemira da Conceição Vinhais, natural de Rego de Vide, Mirandela, com 17 anos, e o professor José Carlos Pereira Leite, natural de Cinfães do Douro, com 7 anos. Estes dois só leccionaram nessa escola. Aqui deixaram todos-eles traços indeléveis da sua personalidade e das suas qualidades de trabalho.

Foi já nesta escola e na época-escolar de 1962/1963 que as batas escolares começaram a ser obrigatoriamente usadas, com cores diferentes para os dois sexos.

Estas instalações escolares ainda serviram para o funcionamento da Tele-escola, “ensino à distância do 1º. Ciclo do Ens. Secundário”, transmitido na parte da tarde, através da RTP-2, com início (mais tardio) em Stª. Valha no ano lectivo de 1975/76, tendo sido extinto em todo o país no ano lectivo de 1982/1983, mas considerado, por alunos, pais e professores, um sucesso a nível nacional. Não podemos deixar de referir que, contíguo à escola (lugar agora do futuro Centro de Dia), foi montado um pavilhão em meados da década de 1980, onde funcionaram o Jardim de Infância e Pré-Escola.

Actualmente está a funcionar aqui o ensino Pré-escolar numa das salas, que muito em breve irá ser transferido para outro local (pensamos Sede da Junta), em virtude desse espaço, ser necessário para o funcionamento do Posto Médico, que vai deixar de funcionar na sede da Junta de Freguesia, por imposição da Direcção Regional de Saúde, encontrando-se a outra sala, em obras de remodelação, para funcionamento futura cozinha de apoio ao centro de convívio, que a Segurança Social exigiu, já após a conclusão das novas instalações.

Após o exame da 4ª. Classe, que era feito em Valpaços, todo o aluno que nesse tempo pretendesse prosseguir os estudos, teria obrigatoriamente que fazer um exame de admissão ao Liceu ou à Escola Comercial e Industrial. Até 1959, foi diferente, a instrução primária terminava com o exame da 3ª. Classe e com a entrega do certificado de diploma, considerado “Ciclo Elementar”, e os que pretendessem prosseguir até à 4ª. Classe “Ciclo Complementar”, poderiam fazê-lo, mas tinham também de fazer exame para receber o diploma.

Alunos do ano-lectivo de 2003/2004 (antepenúltimo da escola) – De pé da esquerda para a direita: Ricardo Rolo, Daniel Celestino Parauta, Ana Sofia Tender, Nicole Fernandes Ervões, Tiago Miguel Sarmento e Professora Maria Cidália Barreira. De joelhos da esquerda para a direita: Ana Catarina Rolo, Diana Patrícia Rolo, Cíntia Isabel Fontoura, João Pedro Pires e Leonardo Rua do Espirito Santo. Falta a Jéssica Patrícia Alves Fernandes.

Ano-lectivo de 2004/2005: Todos os alunos do ano escolar anterior, excepto o aluno Ricardo Rolo.

 

Foram estes os últimos alunos a frequentar a Escola EB-1 ”1º. Ciclo” (Primária)   Ano-escolar 2005/2006 – A partir dessa data, a Escola de Santa Valha encerrou as portas definitivamente para o Ensino Básico. Tiago Miguel Sarmento, 2º. ano; Nicole Fernandes Ervões, 3º. ano; Ana Sofia Atanázio Tender, 3º. ano; João Pedro Mendes Pires,3º. ano; Ana Catarina Vieira Rolo, 3º. ano; Diana Patrícia da Silva Rolo, 4º. ano; Daniel Celestino Aires Parauta, 4º. ano; Jéssica Patrícia Aires Fernandes, 4º. ano. A professora (última) é a que está de casado preto e calças azuis, Sofia Alexandra Fernandes Loureiro, natural de Santa Comba Dão(?) do distrito de Viseu. Ao lado, de camisola castanha com colarinho encarnado, uma psicóloga que estava a dar apoio temporário a um ou dois alunos.

Actualmente as instalações da escola estão a servir para o funcionamento do Pré-escolar numa das salas, encontrando-se a outra em obras de remodelação para funcionamento futuro do Posto Médico, que irá ser transferido das instalações da sede da Junta de Freguesia.

Recordo também, que desde as primeiras eleições democráticas de 1976 até à data da inauguração da Sede da Junta ou Casa do Povo, foi nessas instalações que se fizeram alguns comícios partidários, assim como local de eleições e algumas reuniões da Assembleia e Junta de Freguesia.

Professoras que também leccionaram nessa Escola até 1975/6 e de que nos recordamos: Dª. Margarida Lurdes da Silva Barreira (Guidinha) que também leccionou em Fornos do Pinhal e Sonim, Dª. Dulce, Dª. Agripina Cadavéz, Dª. Nicolina, Dª. Alcina, Dª. Henriqueta, Dª. Artemira Vinhais e possivelmente mais uma ou outra. Mais tarde, a Dª. Maria José Evangelista Fernandes “filha da terra”, regressada de Angola em 1975, esteve aproximadamente um ano e meio a leccionar, bem assim como nos meados da década de 1980, a Dª. Maria Raquel Barros Alves, “filha da terra”, que só iniciou os estudos para o curso com 19 anos de idade; Inicialmente, “1957”, começou a dar aulas como “Regente”, vindo a completar mais tarde a sua formação do magistério primário; Leccionou noutras localidades, como: Valpaços, Monsalvarga, (Angola de 1965 a 1967), Sanfins, Gorgoço e por último em Santa Valha, desde 1984 a 1996, data da aposentação. Contaram-me ter sido uma professora simpática e exigente, mas muito dedicada para com os alunos, e ainda, muito interessada nos conhecimentos da cultura e costumes da nossa terra. Foi colaboradora do Jornalinho Escolar “O Orelhudo” atrás referido, do qual me servi para colher algumas dados para este texto.

Até finais da década de 1970 “, a gente da nossa aldeia só se recorda de leccionarem nas nossas escolas, quatro professores do sexo masculino: o Professor Moutinho, o primeiro a leccionar em Santa Valha ainda no tempo do ensino particular, por volta de 1900 a 1910, o Professor Carolino Augusto Afonso, que começou a leccionar de 1917 a 1953 já no ensino público. Para além desta actividade o Prof. Carolino também exerceu o cargo de Delegado Escolar por largos anos, cuja Delegação era sediada em Santa Valha, e o Professor Nelson Coelho Martins desde 1953 o início de 60, que era natural de Argeriz e que residia enquanto professor, na casa da senhora Laudemira Ferreira “Cagigal”, no Bairro do Sobreiró. Mais tarde, no início da década de 1980, chegou o Prof. José Carlos Leite (aposentado recentemente) que casou em Santa Valha e que aqui deu aulas 7 anos. Disseram-me ter sido também um bom professor em todos os sentidos. Todos os restantes docentes foram do sexo feminino.

A designação : Ensino Primário, “que já vinha do tempo dos nossos avós”, passou a chamar-se Ensino Básico e actualmente chama-se Ensino do 1º. Ciclo.

Nota: (A maioria dos dados acima referidos, foram colhidos junto de antigos alunos e pessoas mais idosas da nossa aldeia. Houve também outros dados extraídos de um Jornalinho Escolar, denominado “O Orelhudo” da Escola do 1º. Ciclo e Pré-Primária de Santa Valha, elaborado por alunos e professores nos anos de 1991/1992, gentilmente cedido pela Dª. Laurinda Picamilho, Funcionária Auxiliar de Educação dessa escola  já aposentada).

O levantamento informativo a que nos referimos, só se reporta até aos anos lectivos de 1975/1976, não obstante termos algumas referências de alguns anos posteriores. A partir dessa data, a escola do ensino primário sofreu uma grande transformação “em todos os aspectos”, com a entrada do novo regime democrático em Portugal, que aconteceu a 25 de Abril de 1974.

(Santa Valha, 1 Março de 2009)

 

LIVROS e MATERIAL ESCOLAR

Livros da Instrução Primária no tempo do Estado Novo que passavam de pais para filhos e que perduraram até ao ano lectivo de 1975/76 “ início da democracia “.

Livro da Primeira Classe incluía, Leitura e Aritmética.
Livro da Segunda Classe: incluía, Leitura e Aritmética.
Livro de Leitura da 3ª. Classe. Com o “Lusito” da Mocidade

Portuguesa a desfraldar a bandeira das quinas.

Nota: O Lusito vestia a roupa de sair e de ginástica que se

praticava aos sábados.

Livro de Leitura da 4ª. Classe.

(ambos continham o mesmo texto)

Livro de Gramática Portuguesa da 2ª., 3ª. e 4ª. Classes
Livro de História da 4ª. Classe.
Livro de Ciências Geográfico-Naturais

da 4ª. Classe.

Livro “caderno” de Pontos de Exame de Aritmética para 4ª.Classe

 

Diploma da 3ª Classe Mapa Escolar Serie Escolar Educação

Obs: (Todos estes livros tinham dimensões e espessuras muito reduzidas (desde : comp. 14,5 cm x largura 10,5 cm a 24,5 cm x 18,5 cm) , e a maioria, transportava-os para a escola numa sacola de pano, que substituía a pasta, sendo esta, só acessível, aos mais endinheirados. – Alguns livros foram gentilmente cedidos pela Dª. Helena Castro Fontoura).

Planisfério Escolar

(Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné, São Tomé e Príncipe e “Índia: Goa Damão e Diu”)

Quadro de ardósia escolar (de parede), onde professores e alunos escreviam e faziam exercícios com giz.

Lousa e Ponteiro de ardósia, que os alunos utilizavam para escrever e fazer as contas de aritmética com “mais frequência até à 2ª. Classe” e que a maioria apagava com os punhos das mãos ou com as mangas da roupa. Na 3ª. e 4ª. classes já era utilizado o caderno, também conhecido por sebenta.

Pena Escolar: Era obrigatoriamente utilizada na escrita pelos alunos da 1ª.e 2ª. classes, possuindo as secretárias já tinteiros para este efeito. Era um estragar constante de aparos e de papel de mata-borrão. O lápis era utilizado para fazer os exercícios na sebenta.

A partir da 4ª. Classe, já se podia utilizar a caneta de tinta permanente, e a esferográfica, ainda era uma miragem, nem nas provas do exame era ainda utilizada; Só a partir do 25 de Abril de 1974, foi autorizado esta ferramenta de escrita.

Mobiliário que existia na nossa Escola: Secretária do professor(a) e Carteiras dos alunos -suspenso na parede – encontravam-se: Quadro de ardósia ; Mapa de Portugal; Mapa do Mundo-Planisfério, – ( que só servia para estudar as nossas províncias ultramarinas “de então” ) – ; Crucifixo e Fotografias do Presidente da República e do Chefe do Estado/Governo, também conhecido pelo Presidente do Conselho

Festa do Galo

 

Festa do Galo ….. (tradição que se perdeu após o 25 de Abril de 1974):

Era tradição, por altura do Entrudo, os alunos fazerem uma visita em cortejo a casa do professor(a), oferecendo a este(a), como prova de simpatia, amizade e cordialidade, o melhor galo e peru da aldeia, transportados num muito pequeno e alegórico carro de bois já construído para o efeito e sempre gentilmente emprestado (a partir da década de 1950) pelo carpinteiro e marceneiro senhor António do Patrocínio Teixeira, “viatura essa” ornamentada com flores e ramos verdes pelos alunos, ramos verdes da época e serpentinas por vezes.

O carro de madeira era puxado à mão por três ou quatro alunos, com os restantes a seguir ordeiramente atrás, perfilados em duas filas indianas, transportando arcos também enfeitados e bandeirinhas de papel. Tanto ele como os arcos eram enfeitados sempre no dia anterior ao cortejo e a maioria das flores e ramos verdes de belas e frondosas árvores de jardim, chamados “buxos”, eram oferecidos pela casa dos Sarmentos ou Ciprestes, que as tinham nos seus sempre bonitos jardins, permanecendo parte delas ainda hoje em dia nesse local.

O cortejo perfilado saía da escola e percorria os principais bairros da aldeia até à casa do professor(a). Ao longo de todo curso, os alunos recitavam vários versos, cantavam cantigas alusivas à tradicional festa que já vinham do tempo dos nossos avós ou antes, que nos eram ensinadas pelos nossos pais e alunos mais velhos, bem assim como também o Hino da Maria da Fonte.

Chegados a casa onde o professor(a) residia, também por vários alunos, aram recitados/declamados alguns versos e lido um texto em prosa de cortesia, simpatia e amizade, seguindo de uma cantiga, cantada em conjunto e em uníssono por todos os alunos com versos dedicados ao professor(a), o Hino Nacional, e, por último, a entrega do galo e/ou peru, que este(a), recebia e agradecia, retribuindo no final (a seu custo) com um pequeno lanche para todos, composto normalmente de uma sandes de marmelada/doce e queijo, bolinhos secos, aletria, rebuçados, e ainda, uma bebida “gasosa”, sande e guloseimas recebidas com grande rejúbilo por parte de todos, atendendo aos tempos da época muito difíceis, em todos os sentidos, sobretudo na fome, na inexistente qualidade de vida e na falta de prosperidade dos mais velhos.

Por norma, havia sempre dois cortejos, um dos rapazes e outro das raparigas, havendo, de certa forma, sempre “guerra salutar” travada entre os dois sexos, no sentido de qual deles apresentar os melhores e mais vistosos animais de capoeira ao seu professor(a). Houve anos em que só era oferecido um galo, ou um peru e uma cesta de ovos, tendo em conta o dinheiro que se conseguia angariar por todos. Atendendo a dificuldades económicas, houve anos que a festa do galo foi feita conjuntamente por rapazes e raparigas, todavia, foram situações muito raras.

No tempo dos nossos pais e avós, os alunos(as) ou aprendizes das letras e dos números como alguns lhe chamavam eram em número muito mais reduzido, mas já nessa época, apesar da pobreza ser ainda mais acentuada do que até ao início da segunda metade do século XX, era tradição oferecer um cordeiro ao professor(a), que também era transportado num carrinho de madeira devidamente enfeitado.

Os alunos que recitavam e declamavam os versos em voz alta transportavam uma espada em metal, que a erguiam com a mão direita no momento desse acto. Essas bonitas e esbeltas espadas eram emprestadas para o efeito pelos já falecidos senhores, Arnaldo Domingues, conhecido também por Augusto Simão, Manuel Castro, também conhecido por “Ti Cruz”, e pela Dª. Margarida Sarmento. Por vezes também foi utilizado um espadim, também emprestado pela Dª. Margarida Sarmento. Tanto as espadas, como o espadim do falecido marido da Dª. Margarida, eram objectos de rara beleza e estas pessoas possuíam-nos, em virtude de terem tido familiares com patente militar no exército, porventura oficiais de cavalaria; Desconheço, no entanto, se no tempo da Monarquia, ou se já posteriormente no regime Republicano.

É também isto, uma história, da imensa história cultural da nossa aldeia.

 

Versos da festa do galo:

Este galo é bonito,

É bonito e canta bem,

é prá nossa professora,

que nos ensina muito bem.

Óh galo ó triste galo,

que andas pelas ortigas,

tu gostas das galinhas,

e eu das raparigas.

Deixo o meu bico,

ao homem mais fraco,

pra quando for prá- guerra,

fazer mais um buraco.

Lá em baixo vem o sol,

carregado de colheres,

vinho para os homens,

água prás mulheres.

Galinhas, minhas amigas,

de cabelo penteado,

vinde ver o vosso galo,

que vai ser degolado.

Esta espada que relumbra,

ainda agora vem da tenda,

é pra matar este galo,

haver se toma emenda.

“Terminava- Viva Cristo-Rei: VIVA – Viva a Nosso(a) Professor(a): VIVA – Vivam os Meninos da Escolas: VIVAM : Viva Tudo em Geral “.

FIM

Nota: estes versos foram gentilmente cedidos pela Dª. Aida Pereira da Mata.

 

VERSOS DA FESTA DO GALO DAS RAPARIGAS, DEDICADOS AOS RAPAZES “ E NÃO SÓ……”, NA ÉPOCA DE (+/-) 1933/1934, QUE SE COSTUMAVAM RECITAR/CANTAR NO TRAJECTO DO CORTEJO, ATÉ CHEGAR À CASA DOS PROFESSORES (AS).

Galinhas, minhas amigas,

de cabelo penteado,

vinde ver o nosso galo,

que vai se degolado.

O nosso galo vai morrer,

testamento vai fazer,

vai deixar de testamenteiro

o “Setenta e Nove do Outeiro”

(Dedicado ao Manuel Reformado)

Deixo o meu bico,

ao Zé Velho que é fraco,

para quando combater

fazer mais um buraco.

(Dedicado ao Artur Clauda)

Deixo o meu papo,

a um homem bem ricalhão,

para quando tiver dinheiro,

fazer uma bolsa de mão.

(Dedicado ao Alfredo Pimpão)

Deixo as minhas penas,

que são da cor do mel,

à senhora Professora,

e ao padre Miguel.

Deixo as minhas tripas,

uma pequena demasia,

à mulher mais rabugenta,

que há na freguesia.

(Dedicado à Maria Guiomar)

 

Deixo as penas do rabo,

que são as mais brilhantes,

a uma menina solteira,

para dar aos seus amantes.

Deixo as minhas patas,

que rapam as portas,

ao Armando Chamorro,

que as dele são tortas.

Por fim: deixo o cú do galaróz,

que vi morrendo e cagando pra voz.

“Autores destes versos: Mariano da Mata e Armando Chamorro”.

Sou o Arménio,

Que venho de Pardelinha,

Não trouxe o galo ,

Mas roubei a galinha.

(autor: Arménio ? )

Eu sou o Zé Maria,

Amigo do galaróz,

Vem cantando e cagando pra voz.

(Autor: José Maria de Castro)

Eu sou o Adriano Augusto,

um rapaz tronchudo,

quero matar o galo,

e come-lo no Entrudo.

( Autor: Adriano Evangelista)

Nota: Estes versos foram gentilmente cedidos pela Srª. Dª. Alice Evangelista da Mata Fernandes.

 

Para além do Hino de Santa Valha, cantavam-se outras cantigas na Escola, como por exemplo esta muito popular:

Entrei pela Espanha adentro ,

Entrei pela Espanha adentro,

Acavalo num mosquito;

Ficou tudo admirado , a)

Ficou tudo admirado, a) (Bis)

Um cavalo tão bonito . a)

(Refrão)

Viva Santa Valha, a)

Terra de beleza, a)

Aldeia pequenina, a)

Cercadinha de riqueza. a) (Bis)

Santa Valha é um jardim,

Toda a gente diz assim,

É tão linda a nossa terra;

Por esse mundo além , a)

Já não há quem queira bem , a) (Bis)

À conta da triste guerra.; a)

(Refrão)

Viva Santa Valha, a)

Terra de beleza, a)

Aldeia pequenina, a)

Cercadinha de riqueza. a) (Bis)

(Santa Valha, 1 Março de 2009)

FIM

 

MEMORIAS E RECORDAÇÕES

Quem não se lembra da saudosa senhora Palmira!  Foi empregada, criada como antigamente se dizia, da residência Paroquial (Abadia) até 1962, do falecimento do saudoso Padre João. Era conhecida por todos na freguesia, por “mãe dos pobres”, mulher simples, honesta, carinhosa, meiga e de muita generosidade, com todos os demais adjectivos de bondade e com um toque especial para a cozinha.

A senhora Palmira afagava o estômago de muitos miúdos e até alguns graúdos. Residia ultimamente no bairro do Pontão e que acolhia sempre nos seus aposentos as professoras, dado na altura, por dificuldade de transportes e até económicos, eram obrigadas a ter residência permanente nos locais de ensino. Posteriormente, a senhora Maria Cândida, – falecida recentemente – pessoa de enorme religiosidade e apego à igreja, passou de igual modo a acolher também professoras na sua residência.

Também o médico Dr. Carlos que residida em Vilarandelo! Era ele que normalmente vacinava os alunos nas próprias escolas. Deslocava-se uma vez por ano para vacinar e alguns sabendo no dia anterior do que ia acontecer aproveitavam para faltar parte do dia e até com desconhecimento de alguns pais, justificando ao professor (a), que tinham ido trabalhar para o campo a mando deles. Penso que também o já falecido Dr. Olímpio Seca, médico do povo, como lhe chamavam, ter vacinado crianças nas escolas. Gente boa para os mais pobres e necessitados que nos deixou muitas e boas recordações. Contaram-me, que até à década de 60 do século passado (XX), esses dois médicos, quando visitavam os doentes nas aldeias do concelho, era a cavalo que se deslocavam.

De igual modo não posso deixar esquecida a saudosa professora primária Dª. Margarida Lurdes da Silva, “filha da terra” conhecida por todos, por Dª. Guidinha, professora de pais e filhos, amiga, sincera, exigente e respeitada, mas por vezes dura (no bom sentido), que tantos momentos felizes de nostalgia deixou e ainda, e por último, a Prof. Dª. Artemira…., já aposentada do ensino, a residir actualmente em Murça, pessoa muito amiga, dedicada, metódica, de fácil trato, mestra na arte de bem ensinar, que sempre manteve uma enorme empatia com alunos e pais e de quem toda a gente gostava e admirava.

E as nossas Catequistas, que aos domingos nos ensinavam o catolicismo a catequese e tinham a paciência de aturar as nossas traquinices. De entre outras, destaco: Maria Cândida; Emília Lopes; Ermesinda Teixeira; Raquel Barros Alves; Conceição Barros Alves; Aida Pereira da Mata; Clotilde Ribeiro; Olga Margarida Lopes; Fátima Mosca Pires e Fernanda Fontoura Alves . Dada a quantidade de crianças nessa época, a catequese era ensinada na igreja matriz e na casa paroquial. Algumas destas nossas amigas, mensageiras do evangelho de Jesus Cristo, já exerciam esse ensino Cristão no tempo do senhor padre João. Outras delas, já mais tarde, no tempo dos senhores padres: Azevedo, Ribeirinha, Branco e, ainda, Alberto da Eira, este último, pároco da nossa freguesia, desde 1977, de que muito nos honramos e orgulhamos.

Vou referir aqui uma peripécia do meu tempo, que aconteceu no período escolar de (+-) 1963 ou 1964: A igreja e o ensino escolar primário, andavam, nessa época, de mãos dadas; ” Não sei se por influência do senhor pároco de então, padre Azevedo”, na sua curta passagem por esta paróquia, ou outra qualquer; Os alunos eram obrigados aos domingos, a assistirem à missa e, após a missa, à saída, recebiam um santinho em cartolina que teriam obrigatoriamente de entregar na escola. No dia seguinte, “segunda-feira”, à entrada, a professora, chamava um por um, para estes lhe devolverem esse tal Santinho, como prova da presença na missa. Claro! havia sempre alguns que se” baldavam”, mas estes, já sabiam previamente, de que isso lhes traria um bom par de palmadas (reguadas) no dia seguinte no início das aulas. Enfim, uma atitude estúpida, irrefletida e lamentável do tempo em que valia tudo e que ninguém podia reclamar.

Áh! esqueci-me de dizer, que nessa fase, houve um período muito curto, que após a missa, na sacristia, as crianças da escola, recebiam gratuitamente uma sanduíche de queijo, oferecida pela Cáritas Diocesana. Enfim, temos muito difíceis, onde o que mais sobejava era a miséria e a pobreza. Uma qualidade deles andava quase todo o dia, só com uma malga de caldo no estômago, ou com uma côdea de pão, assim como descalços, ou com os pés metidos dentro de uns socos cheios de buracos e a verem-se os dedos dos pés. Havia, contudo, uns poucos privilegiados, que na semana que antecedia a nossa festa de Agosto, os pais iam à feira a Vilarandelo e compravam-lhe uns sapatos de pano, que teriam de estimar, até ao próximo ano, independentemente de andarem descalços, ou não. Mesmo com pouca dignidade as pessoas, particularmente as crianças, viviam felizes.

 

Jogos tradicionais que se jogavam no receio da escola:

Rapazes: Malha; Cabra-Cega; Peão; Bilharda ou Ferrolho; Botão; Trinca-cevada; Rou-rou (Escondidas ou Escondidinhas; Ferrinho ou Espeto; Pincha-Carneira; Eixo; Buraquinha(o); Mata; Rodinha; Bola (que normalmente era trapos, mas escassamente lá ia aparecendo uma ou outra de plástico ou borracha).Etc. Etc.

Raparigas: Cordas; Macaca; Pedrinhas ou Boldegros; Jogo do Lencinho; Cama do Gato; Eixo; Pincha-carneira ou Trinca-cevada ; Jogo do Galo; O Mata; Os Milhinhos; Cabra-cega; Rou-rou ( Escondidas ou Escondidinhas), “mais tarde os Elásticos”, Etc. Etc.

(Palmatória) (Régua) (Cana)

(Palmatória ou Régua, que na época servia para castigar os faltosos ou mal-educados, mas que, mais tarde, e já numa fase adulta e responsável , a maioria, veio a reconhecer o seu valor) .

Antigamente os alunos não eram obrigados por lei a estudar e a maior parte deles, não gostavam da escola, mas hoje..…., todos reconhecem ter gostado muito de ir à escola e ter partilhado de um principio de amizade comum.

Santa Valha, Dezembro de 2008

 

A NOSSA BEM-AMADA PROFESSORA,

Recordando o que ouvi falar aos nossos mais idosos e a outros que infelizmente já nos deixaram, a instrução escolar em Santa Valha teria começado por volta de 1900, com o Professor Moutinho, na casa de residência deste, situada no largo de cima do bairro do Pontão, agora pertencente ao Sr. António Garcia da Mata ou familiares. Esse ensino era particular e só poucos o aprendiam. Contudo, ainda tive o prazer de conhecer alguns alunos/as que por lá passaram e que me contaram, como se ensinava e aprendia nesse tempo e as dificuldades da época…. ( para aprender o “ a-e-i-o-u” ).

O Ensino Oficial Público, escolas, dos rapazes e raparigas, situadas no bairro dos Ciprestes e largo das Adufas, respectivamente, começou por volta de 1917, conforme constava nos livros de registos do arquivo da nossa escola primária, (que já também fechou definitivamente no ano lectivo de 2005/6, por falta de alunos). Por lá passaram vários mestres de ensinar, tais como: Maria Palmira, Carolino Afonso, Nelson, Maria Clotilde, Eufrasina, Berta, Estrelita, Miquelina, Elisa, Nini, Mimi, etc. etc., primando sempre pela qualidade de ensino. Outras se seguiram, dando cada um/a o melhor que podia e sabia, mas apenas permaneciam 1 ou 2 anos, com excepção dos Profs. Carolino e Nelson, que leccionaram vários anos.

Em 1950 é a vez de uma ilustre filha da terra se formar em Bragança, a Dª. Margarida Lurdes Silva – A Menina Guidinha – era assim como era tratada. Começou a leccionar apenas com 18 anos. Era tão Jovem!. Veio para a sua terra como professora em 1956 e aqui permaneceu até à aposentação em 1988.

A Dª. Margarida trabalhou na Escola das Adufas durante 5 anos e fez em 1962, a transição para a Escola “Nova” do Br/rua. do Pontão, juntamente com o professor Nelson. Tinha quase sempre a 4ª. classe e turmas numerosas.

Quem ler estas linhas faça um pouquinho de reflexão sobre uma vida de 38 anos de trabalho, além de esposa e mãe de 6 filhos.

Sempre a conhecemos com aquela boa disposição e graça, tal que, quem estivesse junto dela não teria razão para permanecer triste, pois a Dª. Margarida tinha a qualidade nata de fazer rir as pedras.

Esta aldeia muito lhe deve e orgulha-se da sua Bem-Amada professora.

Santa Valha, Maio de 2009

Autor: Maria Raquel Barros Alves (Professora Aposentada)