Coisas e Gentes da Nossa Terra

 

 

OBRAS DE INTERESSE PÚBLICO:

Bairros da Aldeia:

De acordo com vestígios encontrados, alguns ainda hoje bem visíveis, a nossa aldeia, mais propriamente o primeiro núcleo ou povoado primitivo terá nascido e ter-se-á fixado há muitos séculos atrás no monte do Crasto e do contíguo a nascente Santa Olaia ou Eulália.

A fraga-parideira onde as mulheres pariam os seus filhos um pouco à frente e a nascente, o altar de sacrifícios, fraga das serpentes, lagares rupestres de fazer o vinho, vestígios da muralha de um castro do tempo dos romanos, fragmentos de telha e de barro grosso de cor vermelha e outros vestígios cavados nas rochas de possíveis rituais a poente por lá se pode observar. De igual modo um cemitério público cristão e já pouco ou mesmo nada de uma antiga igreja logo a acima – a primeira de Stª. Valha – separados unicamente por um caminho. (Ver Link – Freguesia do Site)

De acordo também com algumas pesquisas que fiz em documentos e/ou manuscritos a que tive acesso não há muito tempo das primeiras referências escritas desses tempos antigos e do que ouvi dizer aos mais idosos, que dizem também ter ouvido contar aos mais velhos, tudo leva a querer que o início da nossa “actual” aldeia deva remontar entre o século XIII e XV, se bem quem nos Documentos ou Manuscritos das Inquirições de 1258 refira lá a existência da Igreja e Paróquia de “Santaala”, abreviado Santala (Santa Valha), de Terras de Rio Livre; Eclésia de Santaala (Rio Livre) – Igreja de Santala: paróquia de remota fundação, do início da nacionalidade (1143) ou anterior.

A evolução fonética do nome é algo contraditório, Santa Eulália: Sant` Olaia> Santabaia>Sant`alha>Santala>Santaala>”Santa Valha”. Santa Valha, nome cuja origem toponíma dizem ser hagionímico.

Recorde-se que Santa Valha e outras aldeias vizinhas pertenceram ao concelho e comarca de Monforte de Rio Livre até 31 de dezembro de 1853, data da sua extinção, passado a partir dessa data para o concelho de Valpaços. A sede de concelho ficava instalada dentro das muralhas do castelo. Do mesmo modo e nessa mesma data também se deu a extinção do concelho e comarca de Carrazedo de Montenegro.

Os bairros mais antigos da nossa aldeia são, de certeza absoluta, o do Ciprestes, e o do Sobreiró. Primeiro o dos Ciprestes identificado desde 1655 até 1758 de bairro de Santo António. Era assim que esse bairro se chamava outrora, se bem que já ninguém se lembre, mas sim, simplesmente “bairro”. Esse é certamente o mais antigo de todos, atendendo à deslocação desse inicial núcleo ou povoado fixado no vizinho monte do Crasto e Santa Olaia, seguindo progressiva e lentamente para o Sobreiró que toda a gente desconhece e questiona a origem do nome (Sobreiró), devido ao acento agudo na última vogal (ó). Por volta de 1933 ou 34, (antes do rompimento da estrada) chegou ainda a englobar algumas (poucas) habitações de parte do bairro do Pontão (exemplo: a dos Contins, hoje casa mortuária). Há quem diga que antigamente o nome registado por “bairro do Pontão” não existia, mas sim chamado bairro do Sobreiró, só mais tarde teve esta denominação, provavelmente pela divisão do rompimento da actual estrada.

Bairro da Igreja, identificado desde 1656.

O bairro do Pontão, cujo nome terá tido certamente origem na existência de um pequeno pontão antigamente em pedra no regato perto da fonte; bairro da Madalena, agora e muito bem identificado de Santa Maria Madalena. O bairro da Madalena foi construído e habitado muito mais tarde. Só a Capela de Stª. Maria Madalena lá existiria antes do primeiro povoamento. Não referindo, é claro, os pequenos agrupamentos de casas junto à Igreja e Outeiro/Freixa.

Os bairros mais antigos eram constituídos por habitações de origem medieval bastante pobre, como ainda se pode verificar em algumas dessas antigas construções.

Após meados década de 70 do século XX (1975), o pequeno bairro da Madalena, hoje chamado e bem de Santa Maria Madalena, começou a expandir-se muito rapidamente, particularmente com investimento de poupanças dos nossos emigrantes e repatriados ou retornados/regressados das ex-colónias. Também nessa época, tiveram início das primeiras construções dos pequenos bairros do “Aviário ou estrada para Pardelinha”; Maceira ou Maçaira; Corredoura e Entre-as-Águas ou Cinzeira.

O início das construções do bairro de Entre-as-Águas ou Cinzeira deu-se logo a seguir ao rompimento do novo troço da estrada, finais da década de 80. Até essa data, a ligação para a anexa do Gorgoço era feita da seguinte forma: pelo antigo e apertado caminho vicinal que liga a  Praça/Igreja, passando pelo Outeiro, Freixa, seguindo daqui até Entre-as Águas.

Não existem outras localidades em todo o nosso país com os mesmos nomes de Santa Valha e as duas anexas de Gorgoço e Pardelinha de acordo com o dicionário corográfico.

 

Casa do Povo/ Sede da Junta de Freguesia:

O início da construção da Casa do Povo, mais tarde Sede da Junta de Freguesia, remonta ao ano de 1980, na presidência da Junta de Freguesia de Osvaldo Fernandes Ribeiro e a inauguração deu-se seis anos mais tarde, 10/08/1986, na presidência da Junta de Manuel Guedes.

O terreno pertencia ao logradouro da Casa Paroquial, conhecido também por pátio, doado pela Igreja. Os trabalhos tiveram continuidade na administração da Junta seguinte presidida por Domingos José Mosca Teixeira (1981/1982), vindo mais tarde a ser concluída, mobilada e inaugurada pelo executivo da Junta de Freguesia presidida por Manuel Guedes, que tinha “emigrado” para a ex-Colónia de Angola em finais da década de 50 e regressado (como retornado) em finais de 1975 ou início de 76. Os fundos e outros apoios para esse investimento vieram da Câmara Municipal e do Ministério da Administração Interna.

O destino da edificação era a instalação da futura “Casa do Povo”, instituição que nunca passou de boas intenções, passando sim o edifício a funcionar como Sede da Junta de Freguesia, Posto Médico, Extensão de Farmácia, Jardim-de-Infância/Pré-escolar e actividades culturais e desportivas.

Recorde-se, que Manuel Guedes foi o principal impulsionador dessa importante obra pública, sendo uma das primeiras sedes de Junta de Freguesia do Concelho, bem assim como também responsável de outros melhoramentos desde 1983 a 1997, seguindo-se depois, a presidência de Jorge Augusto de Castro até 2013, que também contribuiu em muito para o desenvolvimento local e melhor qualidade de vida dos munícipes de toda a freguesia.

Antigamente o executivo da Junta reunia quase sempre na casa do Presidente da Junta por não haver instalações próprias, mas também chegou a reunir uma ou outra vez, de acordo com actas antigas de reuniões, nos seguintes locais: Sacristia da Igreja, Capela de São Miguel e Escola-Primária. Até 1976, data das primeiras eleições Autárquicas Democráticas, não existia o órgão deliberativo da Assembleia de Freguesia. Só Junta de Freguesia e Regedor, ambos autónomos.

A inauguração oficial/solene deu-se em 10/08/1986 com toda a pompa e circunstância. Teve a presença honrosa, entre inúmeros convidados do nosso e de outros concelhos vizinhos, os ministros (do primeiro Governo do Prof. Dr. Aníbal Cavaco Silva) Engº. Eurico de Melo, que inaugurou, à data ministro da Administração Interna e Vice – Primeiro-ministro e o da Saúde, Drª. Leonor Beleza e respectivos Assessores de ambos e representantes Distritais dos dois Ministérios. Ainda: Deputado(s) Distrital, Governador Civil, vários Presidentes de Câmara, Vereadores, e ainda Presidentes de Juntas de Freguesia, entre outros.

A Drª. Leonor Beleza, ministra da Saúde, aproveitando uma deslocação que fez nesse dia ao Concelho de Chaves, a convite da Junta de Freguesia, quis vir também a Stª. Valha para se juntar ao seu colega de governo, onde inaugurou ao mesmo tempo o Posto Médico (Extensão de Saúde) a funcionar no interior das mesmas instalações. A presença de ambos foi ainda aproveitada para inaugurar as (reconvertidas) instalações do Jardim-de-Infância junto à antiga escola-primária que serviram anteriormente ao ensino à distância “Tele-escola”, transmitido diariamente pela televisão RTP(2). Essas instalações vieram em 2008 a ser demolidas para a edificação do imóvel para futuro funcionamento do Centro Social de Dia para Idosos. A ex-primeira-Ministra da Saúde está a presidir à Administração da Fundação Champalimaud desde 2004,data a sua fundação.

Foi no primeiro mandado do Presidente da Câmara Engº. Francisco Batista Tavares que a Casa do Povo/Sede da Junta de Freguesia foi inaugurada.

Antes das actuais instalações, os órgãos da Junta e Assembleia reuniam nas antigas escolas-primárias e até mesmo muitas décadas antes na Capela de São Miguel e na casa do presidente da Junta, como consta numa ou outra acta muito antiga em arquivo. Como já atrás referi, só em 1976, ano das primeiras eleições em democracia, é que foi oficialmente instituído o órgão deliberativo da Assembleia de Freguesia. No antigo regime só havia Junta de Freguesia e Regedor que funcionavam autonomamente.

Foi ainda em parte do salão do rés-do-chão que desde início de 2009 a 31/07/2011, a escola do “Jardim-de-Infância” funcionou. Foi o encerramento definitivo da última sala de aulas da nossa aldeia e freguesia.

A ampliação da Sede da Junta/Casa do Povo, anexo contíguo, agora Sede do Rancho Folclórico no rés-do-chão e extensão do posto de análises do Dr. Cerqueira da Mota no primeiro andar, começou em 1988, mas só em 1991 é que veio a ser concluída. Inicialmente funcionava no edifício junto ao Posto Médico. Esse serviço de análises clínicas deixou de funcionar por volta de finais de 2013 ou início de 2014, ultimamente extensão do posto de análises do Pioledo, penso que com Sede em Vila Pouca de Aguiar.

Esse anexo de construção/ampliação foi iniciado e concluído na presidência da Junta de Freguesia de Manuel Guedes com alguns subsídios do Estado, nomeadamente do Desporto. Tais donativos foram canalizados para essa construção através da Associação constituída por Escritura Pública em 18/05/1988, denominada “Associação Recreativa e Cultural e Melhoramentos de Santa Valha”, já que estava em vista a constituição da secção de futebol e ao mesmo tempo a legalização de um grupo desportivo que incluísse as camadas jovens.

Foi assim então que nasceu oficialmente o Grupo Desportivo de Santa Valha. O Clube foi inscrito na Associação de Futebol de Vila Real (AFVR) e participou nos campeonatos Distritais das camadas de  iniciados e juvenis, na época de 1988/1989. A partir dessa data nunca mais vindo a participar a nível federativo (ver link desporto e cultura). O rés-do-chão desse anexo foi até 2002/2003, sede do Grupo Desportivo.

Quanto à reclassificação urbanística do passeio, colocação do pavimento em paralelos e bancos em granito junto à Sede e até à curva acima das Adufas deu-se já na presidência da Junta de Jorge Castro e restantes elementos por volta de meados ou finais da década de 2000.

 

Posto Médico de Stª. Valha.

O nosso “Posto Médico” como o povo sempre lhe chamou, mais propriamente dito: “Extensão de Saúde de Santa Valha” do Centro de Saúde de Valpaços (CSV) foi instalado no primeiro andar da sede da Junta de Freguesia. Em Março de 2015 ainda lá se encontra, não obstante os inúmeros esforços para que seja transferido para uma das alas da antiga escola-primária, requalificada para esse fim há bastante tempo. A inauguração remonta a 10/08/1986, ou seja, no mesmo dia e momento da Sede da Junta, pela Ministra da Saúde, Leonor Beleza, e outras individualidades ligadas a esse Ministério. A Sede da Junta foi inaugurada pelo Sr. Engº. Eurico de Melo, ministro da Administração Interna e Vice-Primeiro Ministro. Ambos inauguraram ainda as instalações do Jardim-de-Infância junto da telescola e da antiga escola-primária.

Estiveram também presentes (todos) os convidados da inauguração da Sede da Junta. O primeiro médico a exercer (duas vezes por semana) foi o Dr. Alexandre e o funcionário administrativo foi o senhor Laurindo de Vilarandelo. Seguiu-se no ano seguinte a Drª. Natália Leitão e a Dª. Olímpia Mendes como administrativa. (Ver Link – Inauguração da Sede da Junta).

Nota: Os serviços do Posto Médico foram transferidos da Sede da Junta para as instalações da antiga Escola- primária em 5 de Maio de 2015. O imóvel foi totalmente requalificado para receber esses serviços de saúde.

 

Jardim da Praça:

O jardim da praça foi construído em 1988 em parte do terreno cedido pela Casa Paroquial (Abadia) que sobrou da construção da Sede da Junta. Inicialmente decorava o seu centro uma taça construída com areia, ferro e cimento e com um repuxo natural de água.

Esse antigo objecto decorativo foi substituído em Março de 2002 pelo actual, que simboliza algo da cultura e indústria económica de outros tempos, que é um moinho antigo em ferro de um lagar de azeite com um motor de marca “Lister” e uma correia, que faziam mover esse género de indústria. Isso deu-se na presidência da Junta de Freguesia presidida por Jorge Augusto de Castro, aquando da requalificação de todo o espaço ajardinado. Para além da pouca estética desse embelezamento inicial, também a falta de água no período de verão contribuiu para essa substituição.

Até por volta de meados da década de 80 (1986?) existiu nesse espaço, junto à estrada, duas antigas oliveiras que guardavam muitas décadas de histórias, memórias e até alguns segredos para contar. Essas bonitas frondosas e vistosas árvores foram arrancadas sem qualquer justificação aparente a mando porventura de alguém da Junta que não sabia o que ficava bem e muito menos a importância delas. Primeiro, dois anos antes, foi arrancada a que se encontrava junto à parede do terreno da casa paroquial, quando da construção do novo muro divisório que serviu para alargar e alinhar com a parede da cabine eléctrica. Essa oliveira estava plantada no tereno da casa paroquial mesmo junto ao antigo muro, com quase toda a sua copa a dar para o terreno da praça pública. Passado algum tempo, 1986, foi arrancada a outra junto junto à estrada.

Em 22 de Abril de 2014, foram plantadas, e bem, nos mesmos locais, duas oliveiras já com muitos anos de vida, particularmente uma delas, por aparentar ser já secular ou até mais, árvores essas adquiridas pela actual Junta de Freguesia para repor a nostalgia e a beleza de antigamente.

O vistoso e imponente banco de descanso construído todo em granito da região que se encontra junto à Sede da Junta foi mandado edificar e colocar pela Junta de Freguesia em 18 de Julho de 2013.

 

Sanitários Públicos: 

A construção dos sanitários ou casas de banho públicos iniciou-se em 2000 e concluiu-se em 2001, na presidência da Junta de Freguesia de Jorge Augusto de Castro. O terreno para essa construção nas traseiras da sede do rancho e cabine eléctrica foi doado pela paróquia presidida nesse tempo pelo pároco Alberto Gonçalves da Eira.

 

Coreto da Banda da Música:

Os coretos para actuação das bandas filarmónicas, que são verdadeiros espaços de cultura, chegaram ao nosso país por volta de meados do século XVIII. O primeiro coreto para a banda da música/filarmónica actuar no dia da festa, todo ele construído em pedra e que não acolhia mais que do que quinze ou vinte músicos foi edificado no ano 1958 ou 1959. Estava situado na praça, perto do nicho das alminhas e junto ao início do adro da igreja, lugar agora onde se encontra o cruzeiro datado 1697. Ouvi dizer que foi o senhor Manuel Guedes à época comerciante na ex-Colónia de Angola e que se encontrava de férias em Stª. Valha que o mandou fazer a seu cargo.

Por volta de 1963 ou 1964 foi esse mesmo coreto transferido para junto da entrada da Adadia/Casa paroquial, hoje local onde se encontra Sede/Café do Rancho. Nos primeiros anos da década de 80 voltou a ser transferido para o mesmo local onde foi inicialmente construído, ou seja, junto ao adro da igreja e demolido mais tarde quando da construção do actual. Passado pouco tempo foi demolido.

Houve alguns anos em que para receber a banda ou as bandas da música no dia da festa era necessário construir o coreto em madeira e até um ano no início da década de 80 (1982 ou 83?) uma das duas bandas chegou a tocar no terraço do falecido Dr. Luís Lopes a pedido da Comissão de Festas de então presidida por Manuel Guedes, facto inédito e surpreendente que deixou o povo da aldeia de boca-aberta, visto ser de uma pessoa de difícil trato e que não gostava de festas como chegou ele várias vezes a dizer. Contou-me um dos comissários de então, Adriano da Mata, que nesse ano, até ofereceu manda para a festa e que a banda da música a actuar no terraço foi a de Vilarandelo.

Recordo-me de dois antigos tradicionais construtores dos coretos em madeira para a música e palcos para o conjunto, foram eles: António do Patrocínio Teixeira e Filipe Dionizio do Nascimento. Uns anos mais tarde, os irmãos Hélder e Paulo Teixeira e ainda o falecido Alberto  Domingos Silva, mais conhecido por Alberto Carpinteiro. Também vez ou outra (a partir de 1976) foram utilizados reboques de tractores, mas só para actuarem conjuntos musicais.

O actual e moderno coreto que hoje temos foi edificado em 1996 ou 1997 no local onde se encontrava anteriormente um pequeno e antigo armazém adquirido pela Junta de Freguesia a José Ribeiro. Foi erguido no penúltimo ou último ano do mandato da Junta de Freguesia presidida por Manuel Guedes, não tendo o povo sido ouvido nem achado quanto ao melhor local, aparecendo mais tarde a constatação de várias pessoas por considerarem o local inadequado. Esta construção foi enquadrada num projecto de âmbito cultural filarmónico apoiado a nível nacional pelas Câmaras Municipais e pela Comunidade Europeia.

 

Centro de Dia para Idosos:

O Centro de Dia para idosos foi construído nos anos de 2008 e 2009, no local do antigo Jardim-de-Infância, com o fim de servir de Centro de Dia para Idosos. Desde meados de 2009 que aguarda a inauguração para que foi destinado. Tem ainda um outro edifício de apoio, a requalificada (antiga) escola primária, dividida em duas alas, uma para sala para apoio de actividades como descanso e convívio dos idosos do Centro de Dia, e a outra, para substituir o actual Posto Médico, que está instalado desde 1986 na Sede da Junta de Freguesia, também conhecida por Cada do Povo. As obras na antiga escola e todo o espaço envolvente foram concluídas em finais de 2010.

Todo este investimento, orçado em mais de 400 mil euros, foi suportado integralmente pela Câmara Municipal. A gestão foi entregue à Santa Casa da Misericórdia de Valpaços, que aguarda, desde finais de 2010, a celebração do protocolo com a Segurança Social, para abrir o espaço.

Era pretensão inicial do povo de Santa Valha e até da Junta de Freguesia que a sua gestão fosse feita pelo povo da terra, através de uma Associação fundada em 16/04/20003, denominada  “Casa do Povo de Santa Valha”, que nunca exerceu qualquer actividade para que foi criada. Para esse efeito (Março de 2009,) procedeu de imediato através de uma Comissão Administrativa ou Instaladora constituída, à legalização dos associados, tendo em vista logo a seguir a convocatória de uma Assembleia Geral. Nessa mesma Assembleia, realizada no mês de Abril, foram eleitos os Corpos Sociais e revistos e aprovados os Estatutos. No início de 2010, foi apresentado o projecto nos termos da Lei (sistema das IPSS), à Segurança Social.

Entretanto e atendendo às sucessivas alterações na legislação da Lei por parte do Estado, e ainda, e sobretudo, de algumas exigências por parte da Administração Central da Segurança Social, não previstas no início do processo e impossíveis de cumprir pela Direcção, foi abandonada a ideia da administração directa, e entregue a gestão à Santa Casa da Misericórdia de Valpaços, visto esta instituição de solidariedade já reunir todas as condições exigidas.

Apesar destas  obras  já terem sido vistoriadas pelos serviços da Segurança Social de Vila Real em Novembro de 2010, o que é certo, é que já estamos em Mevereiro de 2015, e data da inauguração oficial do investimento e abertura do Centro de Dia, é ainda desconhecida, não obstante os inúmeros esforços feitos pela Junta de Freguesia e Câmara Municipal, quer ainda pela própria Santa Casa da Misericórdia. Já quando à transferência da extensão do Posto Médico, da responsabilidade da Administração Regional de Saúde (ARS), já estamos em Março de 2015 e ainda não foi efectuada. Ouvi dizer que existem há muito tempo divergências pessoais e políticas entre o Director Regional de Vila Real e o médico responsável de Chaves que também coordena o sector, sendo particularmente esse um dos principais entreves. Em Janeiro último visitou Valpaços o senhor Secretário de Estado do Ministério Saúde, onde deixou a promessa ao nosso Presidente da Câmara, Dr. Amílcar Almeida de que o assunto iria ser rapidamente tratado e resolvido.

Diz-se que a dificuldade da abertura do Centro de Dia e de outros espaços do género em todo o nosso Concelho estará na crise económico-financeira e social que o Estado tem estado a atravessar desde 2008, particularmente no Ministério da Segurança Social.

Nota: Os serviços do Posto Médico foram finalmente transferidos da Sede da Junta para uma das alas da antiga Escola-primária em 5 de Maio de 2015.

 

Antigas Instalações da Escola Primária/Ensino Básico/1º.Ciclo

As obras de reconversão e/ou requalificação para instalação da extensão do Posto Médico que está a funcionar na sede da Junta desde 1986 e da instalação do Apoio ao Centro de Dia a criar, foram Iniciadas no ano de 2009 e concluídas em finais de 2010.

Nota: Em Fevereiro de 2015 o povo ainda continua a aguardar a inauguração desses dois espaços.

“ 02/02/2015

 

Santa Valha – Transferência do Posto-Médico para breve:

No seguimento da visita recente do Sr. Secretário de Estado da Saúde a Valpaços, prespectiva-se para muito breve a transferência das instalações do Posto de Saúde, mais conhecido na freguesia por Posto-Médico, da sede da Junta de Freguesia para uma das alas das antigas instalações da escola-primária, cujas obras de recuperação e requalificação para esse fim já se encontram concluídas desde 2010. O motivo principal da transferência das instalações há muito reclamadas pelo povo, deve-se sobretudo à enorme dificuldade no acesso ao local muito acentuado, particularmente por parte das pessoas mais idosas, que são a grande maioria dos utentes, acrescido ainda das péssimas condições climáticas no interior das instalações, atendendo a construção do edifício já datar de finais da década de 80.
Recorde-se que o Posto-Médico de Stª. Valha, inaugurado em 1986, é uma Extensão do Centro de Saúde de Valpaços.

Deixamos aqui um artigo publicado recente sobre este assunto.

Trata-se de um artigo publicado nas notícias do nosso Site de 02-02-2015. “

 

Nota: Os serviços do Posto Médico foram finalmente transferidos da Sede da Junta de Freguesia para uma das alas da antiga Escola-primária em 5 de Maio de 2015.

Artigo Publicado nas notícias do nosso Site de 10-05-2015.

 

Santa Valha – Posto Médico finalmente transferido:

Depois de seis anos à espera para receber os serviços do “Posto Médico”, finalmente a nossa antiga escola-primária teve a honra de receber essa transferência.

Foi no passado dia 5, terça-feira, que a transferência de serviços se concretizou e a obra de transformação num novo posto de atendimento médico se inaugurou. Estiveram presentes na inauguração o Presidente da Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte, Dr. Álvaro Almeida, o Presidente do nosso Município, Dr. Amílcar Castro Almeida e o seu Chefe de Gabinete Engº. Jorge da Mata Pires, o responsável pelo Centro de Saúde de Valpaços, Dr. Carlos Geraldes, os três elementos que compõem o executivo da Junta de Freguesia de Santa Valha e o ex-Presidente da Junta anterior Jorge Castro, o Médico Dr. Seara, enfermeira e administrativa, entre outras presenças. Ainda, alguns jornalistas e a TV Regiões.

Recorde-se que o Posto Médico, mais propriamente Extensão de Saúde de Santa Valha (CS de Valpaços) a funcionar na Sede da Junta desde Agosto de 1986 presta serviço a utentes da nossa freguesia e de outras vizinhas.

 

Estada (Nacional) e Cantoneiros:

O rompimento da estrada Vilarandelo – Santa Valha deu-se entre os anos 1932 e 1934. O rompimento para Sonim ficou concluído no ano seguinte, 1935. Era à data presidente da Junta de Freguesia de Stª. Valha, Raúl Victor Videira.

Foi classificada como estrada Nacional (EN)213-1 e, no início da década de 2000 desclassificada pelo Governo para Municipal.

Antes do rompimento desse troço, havia um caminho vicinal muito sinuoso que ligava Vilarandelo a Santa Valha, que passava entre as vinhas (proprietários de agora) de João Atanázio e de Gilberto José Cardoso, Antero Augusto Cagigal Neves, Ricardo Manuel Moreiras e outros; atravessava o rio Calvo (sem ponte pedonal) e ia ligar-se ao caminho que vai dar às casas do Calvo em ruínas, perto do Cruzeiro/Capelinha do Senhor da Boa-morte. Daqui, seguia pelo caminho vicinal que vai dar aos Bairros dos Ciprestes e Madalena pela rua da Amoreira. Se fizerem uma visita ao local ainda podem ver parte desse antigo caminho, dos trilhos, e das pedras para atravessar o ribeiro. A actual ponte do rio Calvo a jusante já existia desde início de 1900, mas com muito pouca ou quase nenhuma utilização.

A estrada, quando da sua construção, para além de outros locais, alargou o pequeno estreito e acidentado caminho que ligava o cruzamento das Adufas ao largo da Igreja, dividindo a casa ou dependências da Abadia Paroquial com a casa dos falecidos João António Fernandes (Pedrinho) e esposa Alice da Conceição Evangelista. Consta-se ter sido particular e ter pertencido outrora à Abadia ou casa Paroquial. A estrada rompeu também parte do terreno da Cerca, ultimamente pertencente ao falecido senhor Cândido dos Santos com Luís Mofreita, bens esses, que antigamente chegaram a pertencer todos à casa paroquial (Abadia).

Ouvi dizer aos mais idosos, que o tal caminho que ligava as Adufas à Praça, bastante apertado, acidentado e até sinuoso, onde só cabia um carro de bois, era um dos muitos locais onde alguns lavradores costumavam fazer no outono e inverno estrume de mato e palha para adubar as suas propriedades agrícolas.

Em 1922 foi arranjado o caminho velho vicinal atrás referido que ligava Santa Valha a Vilarandelo à custa do povo da nossa aldeia, sendo regedor e principal impulsionador dos trabalhos o então regedor Manuel António Alves, conhecido  “Manuel da Freixa”, avô materno do Dr. Agostinho Alves Nogueira. O regedor podia nesse tempo intimar as pessoas de acordo com os seus bens patrimoniais a ir trabalhar graciosamente para o caminho ou mandar alguém por si.

Contaram-me também que todo o rompimento da actual estrada que se deu entre 1932 e 1934, em pleno tempo do Estado Novo e ditadura, foi feito pelos braços humanos e ajuda de animais, e que o cilindro para calcar o piso de terra e saibro, era puxado por bois dos lavradores da aldeia, e ainda que houve um proprietário abastado de Santa Valha, chamado João Fernandes, dono de todas as casas do pátio do bairro do Sobreiró, que ofereceu pessoalmente cinco contos; muito dinheiro para a época!

Contaram-me ainda que o custo do projecto da estrada, troço Vilarandelo – Santa valha, na altura a cargo obrigatório da comunidade local por peditório por habitação e rendimento pessoal do proprietário, foi oferecido pelos proprietários de então da Casa dos Aciprestes, gente com título de morgados, de muita posse e muita influência política concelhia, regional e nacional. Tudo leva a querer que sim, dado esse rompimento ter rasgado ao meio, uma propriedade sua na zona do calvo com direcção à ponte, agora pertencente a Gilberto José Cardoso.

Para além da oferta desse projecto e de uma fonte de mergulho (Vilar) e lavadouro contíguo, que algumas pessoas mais idosas dizem ter ouvido falar que foi oferecida ao povo pelos influentes e abastados proprietários dessa casa de morgados. Nada mais se consta, até à presente data, de qualquer ou quaisquer benefícios dessa gente de posses e influência, quer para a aldeia, quer para o bem-estar ou qualidade de vida da comunidade local. Mágoa que os mais idosos e sobretudo os mais jovens não perdoam. Hoje (2013) essa casa ou solar de antigos Morgados já não possui cerca de metade do seu valioso património rústico de então, nomeadamente as propriedades denominadas de Coutada e Pisão, ou Coutada do Pisão, bens esses, vendidos na década de 90 por um casal de antigos proprietários.

Há ainda gente na nossa aldeia que se recorda bem de algumas pessoas de apanharem a água à cabeça para beber quando do rompimento da estrada, entre outras: Justa Fontoura, Isilda dos Santos e Maria Cândida dos Santos, mais conhecida por Srª. Quinhinha, todas já falecidas.

O primeiro piso de alcatrão da então estrada nova foi aplicado em 1973, mas só até St. Valha. Em 1976 alargou-se a estrada dentro da aldeia de St. Valha, que só tinha pouco mais de quatro metros de largura, desde o cimo da curva das Adufas até à Praça, tendo sido demolida toda essa ala (sul) da Abadia Paroquial, incluindo a antiga cozinha e instalações da escola primária pública que também lhe pertencia. Nessa mesma fase de obras por parte da  ex-JAE, o alcatroamento seguiu até Sonim, e, daí, deu-se o rompimento e alcatroamento da estrada até ao cruzamento de Lampaça. A nova e última intervenção com piso betuminoso de asfalto, incluindo algum alargamento da estrada e da ponte do Calvo, verificou-se nos anos de 1997e 1998.

A primeira viatura a circular na estrada e a entrar em Santa Valha, (1933/1934) foi a furgoneta (pequena carrinha de mercadorias), de Manuel Pinheiro de Valpaços, e logo a seguir, a de  José Doutel  e Mitras de Vilarandelo. Ambas as viaturas, ao chegar ao cruzamento do Cruzeiro/Fornos do Pinhal, como ainda não havia o seguimento que conhecemos, estas viaturas,  seguiram pelo caminho que dá acesso ao povo pelo Bairro dos Ciprestes. A aldeia  “parou” para ver esse acontecimento. Só a partir de 1955, uma carreira de transporte público de passageiros começou a fazer a circulação Valpaços/Santa Valha/ Sonim e vice-versa.

Depois da construção/rompimento da estrada, o Estado (extinta “Junta Autónoma das Estradas”), necessitou de dois trabalhadores “Cantoneiros” para a manutenção e conservação da mesma. Em Santa Valha foram dois: Abel Barros, que fazia a conservação até Vilarandelo, e  Rodolfo Alves, que fazia o troço até Sonim, ambos já falecidos. Após a aposentação/reforma, finais da década de 1970, deixou de haver cantoneiros na nossa estrada.

Esses funcionários tinham, na altura, poderes conferidos pelo Governo para poder efectuar algumas multas, por exemplo:  os (eixos) dos carros de bois a chiar e quando as rodas destes e os animais pisavam junto à berma da valeta da estrada, etc.

As ligações que existiam antigamente da nossa aldeia para Fornos do Pinhal e as nossas anexas de Pardelinha e Gorgoço, eram servidas por fracos caminhos vicinais e agrícolas, só um pouco melhorados com o rompimento dos estradões, a partir das seguintes datas:

Pardelinha: Início em 1952 e conclusão em 1955; Gorgoço: Década de 1980 e Fornos do Pinhal: 1960/1961. O alargamento do caminho antigo e rompimento de alguns troços desta via para Fornos, desde o lugar da capelinha do Cruzeiro (Senhor da Boa Morte), foi feito com a ajuda de um caterpillar, a primeira máquina do género vista a trabalhar na nossa aldeia, máquinas estas, desconhecidas da grande maioria do nosso povo. Essas vias só foram melhoradas a primeira vez em meados da década de 1980, com a aplicação de piso em alcatrão.

 

Pontes da Ex- Estrada Nacional e Outras:

A ponte principal do rio Calvo, de um só arco em granito e toda ela trabalhada em cantaria, foi construída no início da década de 1900, ou seja: trinta anos antes do rompimento da estrada, que passa por cima dela ou atravessa e que terminou na altura em Sonim, ainda no tempo do regime monárquico. Contudo, só em finais da década de 1960 ou início de 1970 é que o rompimento e a finalização se deu até ao cruzamento de Rebordelo/Lampaça/Chaves,  com o apoio  importante de uma pessoa muito influente de Barreiros, casado em St. Valha,  António Pires de Morais Soares, entretanto já falecido, que tinha bastantes interesses na freguesia de Bouçoães.

Numa das pedras das guardas da ponte do Ribeiro da “Avessada ou Semuro”, que passa na aldeia perto da  praça, encontra-se esculpida na pedra a seguinte frase: “ Construída Durante a Ditadura Nacional – 1934 “. Numa das últimas intervenções de alargamento, asfalto e betuminoso (1973 ou 1998?), o antigo tabuleiro da ponte construído inicialmente em pedra, foi substituído por ferro, cimento e areia.

Todavia, as pontes de Real-Castanheira e Lamardonda, com direcção a Sonim, tudo leva a querer, que a sua edificação date (+-) da mesma da praça, na continuidade do rompimento da estrada que terminou em Sonim.

O alargamento do actual tabuleiro da ponte do rio Calvo (também denominado popularmente por ribeiro ou ri(e)gueiro) deu-se por volta de 1997 ou 1998, aquando do alargamento e nova pavimentação da estrada.

No ribeiro atrás referido que passa junto da nossa praça, existem mais duas pequenas pontes de travessia, situadas nos bairros do Pontão e Igreja/Madalena. A do Pontão, agora em estrutura de cimento e areia, foi construída por volta de 1980, na presidência da Junta de Freguesia de Osvaldo Ribeiro, destinada a substituir um reduzido pontão em pedra de passagem pedestre. Normalmente, as travessias pedestres das pessoas nos ribeiros eram feitas em pequenos pontões de pedra ou, através de poldras, e os animais pela corrente da água.

Relativamente à ponte de acesso da praça ao bairro da Santa Maria Madalena, inicialmente de construção toda ela em granito tosco, assente em duas lajes fragosas e um pilar ao meio de pedras sobrepostas, foi reconstruída na década de 90, com tabuleiro em ferro, cimento e areia e um pouco mais largo, assim como foi aplicado nessa altura o gradeamento em tubos de ferro que anteriormente não existia.

Lembro-me que a construção com ferro, cimento e areia, só começou (raramente) a ser utilizado na nossa aldeia por volta de meados da década de 60. A partir de meados da década de 70, a aplicação destes materiais de construção tiveram uma evolução muito acentuada.

No bairro da Freixa, existe uma pequena ponte de um só arco circular, toda ela construída em granito, que tudo indica tratar-se de uma edificação muito anterior à construção da ponte do rio Calvo. Ninguém se recorda, nem mesmo os mais idosos sabem ou ouviram falar aos antecedentes a data dessa construção. No entanto, há na aldeia quem argumente, que poderá remontar ao tempo medieval ou pós, atendendo à forma e beleza da sua arquitectura.

No lugar À Coutada, a cerca de aproximadamente mil metros para sul da casa em ruínas do antigo proprietário “Cego da Coutada”, existe um pontão, sem guardas e de reduzidas dimensões que atravessa o ribeiro para propriedades e acesso à aldeia do Gorgoço, que, pelas suas características de arquitectura, nomeadamente na estrutura de fundações e pilares, tudo leva a querer tratar-se de um pontão do tempo medieval. Há, no entanto, uma ou outra pessoa que argumenta, tratar-se de edificação romana. Certo é, que certeza não existe.

Para além de se tratar de uma arquitectura estrutural muito bonita, também a solidez dos seus alicerces é de realçar. Há quem denomine a esse lugar, que fica (+-) perto do limite territorial divisório das freguesias de Santa Valha/ Fornos do Pinhão, de lugar de Leva-peixe.

Obs: Será que o antigo correio do tempo  remoto da “Mala-Posta”, transportado em charretes puxadas por cavalos do exército vindo de Bragança, que atravessava o leito do rio Rabaçal, subindo pelo caminho trilhado na encosta junto à aldeia do Gorgoço, também passava por esta ponte com destino a outras direcções do nosso Concelho?

Neste mesmo ribeiro, a cerca de trezentos metros mais abaixo e ainda no lugar de Leva-peixe, no território da nossa Freguesia, existe outro local de pequena travessia de margens, mas só de acesso pedestre, mais conhecido por “pontão”, todo ele também construído em pedra tosca. O tabuleiro de três pedras de largura e cumprimento encontra-se actualmente quase intransitável.

Cerca de dois quilómetros mais para sul ou jusante, existem ainda duas travessias no mesmo ribeiro, ou seja: um pequeno pontão pedestre construído com um só pedregulho de granito, perto do moinho ou azenha denominado de “Rabaçais” e, ainda, mais para sul e a cerca de duzentos metros da foz do ribeiro (com o Rabaçal), existe uma pequena ponte muito antiga de travessia, que liga o caminho vicinal da freguesia de Fornos do Pinhal ao Gorgoço, anexa à Freguesia de Santa Valha, denominada “Ponte da Costa”, junto ao moinho ou azenha denominado por moinho do “Coutinho”. Pelo nome atribuído a esta travessia, tudo leva a querer, que fosse denominado popularmente, por estar perto da costa ou margem do Rio Rabaçal. Não tenho a certeza se estas duas pequenas travessias que também dão acesso a interesses da gente do Gorgoço se encontram, ou não, já no território da freguesia de Fornos do Pinhal, ou se a ribeira é a divisória deste. Sabemos sim, que estes antigos moinhos, indústrias importantíssimas de outros tempos da margem direita da ribeira, eram sim propriedade de gente de Fornos.

Ainda nessa mesmo ribeiro, junto à Casa da Coutada em ruínas e a cerca de menos de vinte metros para cá da fonte de mergulho de água potável que abastecia antigamente essa mesma habitação, existe também um pontão, todo ele em pedra, mas já com largura suficiente para passagem de carros de bois dos antigos proprietários, se bem que esta travessia é de serventia particular, agora de Aglai Cagigal das Neves.

Voltando ainda atrás ao rio do Calvo, a cerca mil metros para montante da ponte principal, existe uma pequena ponte, construída no Outono de 1995, junto à foz do ribeiro do Piago e dos poços de captação de água, que dá acesso a propriedades da margem direita do ribeiro e ao antigo caminho que vai dar às casas abandonadas e em ruínas do Calvo. Essa ponte, que substituiu um pequeno pontão (pontarelo como o povo lhe chamava) e umas poldras, foi construída a cargo total de Pedro de Morais, a residir actualmente em Barreiros, mas com propriedades em Santa Valha, particularmente muito perto desta referida ponte, único interessado nesta construção, tendo em conta o desinteresse de outros proprietários, devido ao abandono dos seus terrenos agrícolas do lado de lá da margem.

 

Cemitério Público:

A edificação do actual cemitério público remonta a 1903. O construtor foi um pedreiro de então chamado Joaquim dos Reis Moreiras, (avô paterno de Ricardo, Marina, Filomena, Zé Moreiras e Toninho, entre outros), que também veio a construir alguns jazigos, sepulturas e cruzes em granito.

A ampliação deu-se em 2001, a cargo da Junta de Freguesia presidida na altura por Jorge Augusto de Castro. A Pavimentação em cubos de granito do passeio central e passadeiras laterais de acesso às campas e jazigos, assim como colocação de duas bicas de água também em granito foi feita em 2013 também na presidência do executivo de Jorge Castro.

Com esta última importante intervenção de 2013 de requalificação de passeios ou arruamentos, colocação de bicas e ainda alguns trabalhos em granito no rodapé e chão exterior da Capela de Nsª. Srª. de Fátima e ainda no pequeno adro para retirar humidades, tudo orçado em cerca de 15.000 €, verba que saiu do mealheiro da Junta, o espaço de culto religioso ficou mais bonito, limpo e funcional, dando-lhe bastante maior dignidade.

Nota: Outras memórias sobre este tema encontram-se publicadas no espaço “Assuntos Religiosos”.

 

Pontão (da Eira da Coutada) do Ribeiro da Coutada:

Setembro de 2013: Todos os trabalhos desta obra foi a cargo da Junta de Freguesia, cujos elementos foram: Presidente: Jorge Augusto de Castro; Secretário: Carlos Alberto Dias Vieira e Tesoureiro: Júlio José Teixeira.

Substituição das (75) manilhas de escoamento de água, por um pontão, voltando o leito e o curso da água do ribeiro ao primitivo.

Relativamente à intervenção no ribeiro de Sta.Valha no sítio da Coutada, tratava-se de uma obra muito necessária e urgente, revindicada por várias pessoas, tendo em conta os prejuízos que essas pessoas proprietárias de terrenos contíguos e próximos vinham sofrendo de há bastantes anos a esta parte, ou seja; desde que o leito primitivo da ribeira deixou de existir, roubado por uma intervenção de uma Junta de Freguesia anterior, para dar lugar ao caminho de acesso agrícola, com colocação de duas filas enterradas de 40 metros de manilhas de escoamento de água de reduzidas dimensões, que, em tempo de maior pluviosidade ou invernia entupiam por completo, não deixando passar a água no seu curso normal, provocando alagamento/inundações das propriedades agrícolas e até mesmo varrendo as terras férteis de superfície dessas propriedades. Também o caminho de acesso ficava totalmente inundado, sem qualquer possibilidade de passagem, que pedonal, quer por outras vias.

 

Fontes de Chafurdo ou de Mergulho  e Bicas de Água:

Santa Valha foi sempre bem servida de água potável. As fontes de mergulho de abastecimento público devem datar do início dos bairros da aldeia, e que são as seguintes: Br. Sobreiró: Fontela, porventura a mais antiga da aldeia atendendo às gravuras de cruzes, letras e números esculpidos na soleira, padieira e paredes laterais e; Olharigos e fonte do Canelha(o) ou da Tia Maria Vicência (por ter existido muito perto um forno de cozer pão com o nome dessa padeira); Br. dos Ciprestes: Vilar, que pouco ou nada resta dessa fonte primitiva; Fonte do Largo de S. João, conhecida antigamente por “da Regaça”. Br. da Freixa/rua Outeiro: fonte do Outeiro ou da Freixa; Br. Igreja: Fonte da Praça, que possuía uma bomba manual com roda ou volante de ferro para extrair a água para beber e levar para casa, principalmente para os residentes no bairro da Madalena e a do Br. do Pontão: Fonte do Pontão, que também possuía uma bomba manual  com volante de ferro, igual que abaixo referimos e que servia também para ajudar fornecer água as casas de banho da antiga escola-primária.

Ninguém sabe explicar onde foram parar essas tais duas bombas. Nessa mesma fonte do Pontão afogou-se uma rapariga por volta de meados da década de 30 do século passado (XX), irmã dos falecidos Amadeu Moreiras (Pedreiro) e António Moreiras (Periquito), que me disseram estar a jovem na altura de criada (a servir, como se dizia) na casa ao lado da falecida Dª. Helena Lobo.

As principais e que a partir de 1966 começaram também a abastecer algumas bicas, foram a dos Olharigos e do Vilar. Foi o Dr. José Lage, à data presidente do nosso Município, que as mandou edificar e colocar, à semelhança de todo o concelho. A fonte do Pontão forneceu até finais da década de 1960 água para as casas de banho da Escola Primária, extraída através de uma bomba manual com roda ou volante de ferro em círculo por força motriz humana. A fonte da Fontela, mais para dar de beber aos animais e a fonte da Canelha(o) ou da Tia Maria Vicência, como era vulgarmente conhecida, mais para fornecer água para o forno de cozer da Srª. Claudina Ribeiro/Tia Vicência.

A fonte de arquitectura mais bonita e importante foi a fonte do Vilar, no Bairro dos Ciprestes. Era toda ela construída em pedra, com uma pia enorme para dar de beber aos animais e um tanque de lavar contíguos também em pedra. A água que os servia era canalizada desta por um caleiro escavado na rocha, que não só abastecia estes bens públicos, como também, quando sobejava, alimentava um outro tanque particular da casa dos Ciprestes ou Sarmentos, que ainda hoje se conserva do lado de lá do muro. Havia ainda uma pequena e bonita escada junto à fonte que dava acesso à casa dos Ciprestes.

Quer esta fonte, quer a dos Olharigos no bairro do Sobreiró, tiveram mais tarde uma alteração estrutural para canalizar a água para as bicas e lavadouros, incluindo mesmo a parte da cobertura que antigamente era toda ela em pedra. Ambas as fontes (Vilar e Olharigos) foram inicialmente todas construídas em granito, bastante mais bonitas e sólidas nas estruturas do que hoje.

Junto à fonte dos Olharigos e poça contígua de lavar a roupa e regar, mais propriamente no caminho encostado à entrada da cortinha de Marina Lopes Soares, existiu até 1966, uma enorme pia para dar de beber aos animais. Essa pia de pedra foi transferida nessa data para junto da bica da rua do Vilar no bairro dos Ciprestes (cimo da subida), quando da colocação da mesma. Foi zorrada para esse local pela junta de vacas de trabalho de Fernando de Castro do mesmo bairro.

Dessa poça dos Olharigos regavam várias pessoas, algumas até bastante distantes, como, por exemplo: o quintal ou cortinha da casa de habitação de João Fernandes (Pedrinho) e esposa Alice Evangelista, junto à praça. O rego da água passava nas ruas dos Olharigos e Sobreiró, descendo até junto às Adufas, perto do lugar do antigo cruzeiro, agora armazém de Mariano de Castro Domingues e casa de Adelino Melo Alves, seguindo pelo antigo aqueduto. Ainda pela rua dos Olharigos de cima para sul passava por debaixo da casa de António Pereira e esposa Natália, seguia em direção à bica, atravessava a rua e ia regar as cortinhas da habitação de António Morais Soares e esposa Dª. Marina, mais abaixo: José Emílio (Sarrá), Alfredo Pimpão, Faustino e outras contíguas. Penso que hoje (2014) só o filho José Marcelino Pimpão é que costuma regar dessa pequena poça, outrora bastante maior.

Ouvi dizer a algumas pessoas mais idosas que já se constava na sua juventude que a fonte do Vilar, tanque de lavar e pia de beber os animais, tinham sido mandados construir pela Casa dos Aciprestes, (conhecida também pela cada dos Sarmentos ou Morgados) e oferecidos ao povo da aldeia. Tudo leva a querer isso, tendo em conta que foram construídos num enclave de propriedades suas.

Acrescentaram ainda, que por volta de 1847 ou 1948 a Câmara Municipal tinha destinado (orçamentado) uma verba de trinta contos (hoje 150€), muito dinheiro na época, para a aquisição de um nascente de água potável, localizado na zona do Semuro, propriedade de Laudemira da Conceição Ferreira da Cunha (Cagigal) e da construção da canalização e de várias bicas de água para o abastecimento público da aldeia e, que essa verba foi desviada para o rompimento da estrada de Pardelinha, que muitos diziam, por influência e poder político concelhio do conhecido médico do povo, Dr. Olímpio Seca, cuja esposa, Dª. Fernanda, era natural e com muitos interesses pessoais e patrimoniais nesta localidade.

Por volta de 1966/1967, num acto tresloucado do Presidente da Junta de Freguesia de então, Manuel Lopes, mais conhecido por “Amândio” Lopes, destruiu todo esse valioso património em granito, para canalizar a água para a bica pública da praça, soterrando o tanque de lavar e partido a “pia(?)” e canalização. As pedras do tanque de lavar só foram recuperadas no início da década de 2000, vindo nessa data a ser reconstruído e transferido para o local onde agora se encontra. Enfim! Loucura e crime de um louco que presidiu os destinos da nossa freguesia no tempo da ditadura (1964/1968) e que tinha por feito nunca querer ouvir a voz do povo, fazendo sempre prevalecer a sua posição: quero, posso e mando.

Fontes particulares: da casa particular de Laudemira da Conceição Ferreira da Cunha (Cagigal). Minas: de Victor Cardoso e Gualdino Nogueira, conhecida pelo nome de Fontela  (já todos falecidos) e todas estas situadas no Br. do Sobreiró.

A água era apanhada à mão em cântaros e remeias inicialmente fabricados em barro e mais tarde em chapa de zinco. Para os animais era em caldeiros. O material fabricado em plástico só começou a aparecer no nosso meio em inícios da década de 1970.

Em 1985 e 1986, atendendo à necessidade e sobretudo à expansão da população, a Junta de Freguesia presidida na altura por Manuel Guedes, veio a construir mais algumas bicas em tijolo, cimento e revestimento exterior a azulejo, bicas essas espalhadas pelos bairros dos Ciprestes, Pontão, Madalena e ainda uma na curva das Adufas junto ao início da rua para o Sobreiró, mas já abastecidas com a água das explorações de Pardelinha e Ribeiro do Calvo. Essas novas bicas foram sendo gradualmente desactivadas poucos anos mais tarde, quando foi concluída a rede de água potável ao domicílio.

As fontes de mergulho públicas, tal como as bicas e tanques de lavar a roupa, foram outrora sítios importantes para as mulheres porem a conversa em dia umas com as outras. De igual modo foram pontos de encontro amorosos, de novidades, segredos e/ou confidências, portanto, sítios que guardam muitas memórias, recordações e até segredos de um povo.

 

Água ao Domicílio e Saneamento Básico:

Em anos de seca extrema e até severa como a que temos estado nestes últimos anos a atravessar, as antigas fontes de mergulho, têm sido uma mais-valia para o abastecimento de água potável da nossa comunidade. Estas fontes foram de primordial importância na nossa aldeia até ao início da década de 80, pois era nelas que toda a população se abastecia de água para o consumo no dia-a-dia. Também um excelente sitio onde alguns, particularmente as senhoras, punham a conversa em dia e a juventude se encontrava às escondidas dos pais para namorar. A água era apanhada em caldeiros, cântaros e remeias, tendo estes dois últimos sido fabricados inicialmente em barro e mais tarde em de chapa de zinco. Os de agora em plástico só começaram a aparecer no início da década de 70.

O abastecimento de água ao domicílio na nossa aldeia teve início nos primeiros anos da década de 1980 e terminado só no início de 2000. Para o efeito, a Junta de Freguesia adquiriu na década de 80 um terreno no termo de Pardelinha para captação de água por gravidade e a Autarquia construiu o depósito para armazenamento dessa mesma água junto à curva do Pinheiro-manso – estrada para Pardelinha -. Quer a exploração da água no ribeiro do Calvo e respectivo depósito de armazenamento situado no lugar do Cruzeiro, junto à capelinha do Senhor da Boa-morte, quer o da estrada para Pardelinha, foram ambos construídos pela Autarquia na mesma época, ambos na presidência da Junta de Freguesia de Manuel Guedes.

Por volta de 2000 ou logo a seguir, fez-se a exploração por furo-artesiano da água do campo da bola, para ajudar a abastecer o depósito da estrada para Pardelinha através de bombeamento eléctrico, local conhecido por curva do pinheiro manso. Um ano ou dois antes já a mesma Junta de Freguesia presidida por Jorge Castro tinha construído junto ao campo da bola um tanque para armazenar água para ajudar a apagar os eventuais incêndios de verão, canalizada do local à superfície onde se encontra agora o tal furo-artesiano.

Mais tarde, início do verão de 2014, foi construído pela Autarquia um novo depósito de armazenamento e fornecimento de água potável junto à estrada para Pardelinha, destinado a substituir o antigo mais abaixo da curva do pinheiro-manso, por este já se encontrar bastante estragado deixando já verter água e com bastante menos pressão. Essa obra foi concluída no início de Dezembro desse mesmo ano, trabalho feito na presidência da Junta de Freguesia presidida por Nuno Miguel Pereira Neves.

Atendendo à enorme seca  que se verificou nos últimos, particularmente a seca severa de 2017, o Município construiu um depósito elevatório no alto do termo de Fiães para fornecer água potável às freguesias de Tinhela e Santa Valha. Esse depósito será abastecido através da Barragem das Nogueirinhas do concelho de Chaves que já fornece Lebução e Fiães. A obra foi orçamentada em 300.000 €, acrescida mais tarde em cerca 82.000€ para construção de uma (nova) conduta até ao novo depósito de armazenamento de Santa Valha com ligação ao de Pardelinha que inicialmente não estava prevista, mas sim prevista uma curta conduta de ligação de cerca de quinhentos metros até à pequena captação de água num terreno propriedade da (Junta) Freguesia mais abaixo perto da estrada. Tudo leva a querer que a nova ligação a Santa Valha esteja totalmente concluída antes do verão de 2019.

O saneamento básico Iniciou-se na década de 1980, prolongando-se até ao início da década de 2000. Com o progresso da construção civil, particularmente na última década e meia, havia algumas ruas que ainda não estavam contempladas e que eram servidas por fossas sépticas particulares. A fase final está em curso (2010), com novos colectores de saneamento e a construção também de uma nova central de tratamento de esgotos/resíduos, já com as normas comunitárias do ambiente, na zona da eira da Coutada e em terreno adquirido para o efeito, cujo funcionamento teve início em Novembro de 2011.

 

Pavimentação das Ruas à “Antiga Portuguesa”:

A pavimentação dos arruamentos em pedra lascada, toda ela irregular e transportada dos montes, teve Início em meados da década de 60 do século XX na presidência da Junta de Manuel Lopes, vulgarmente conhecido por Amândio Lopes. Foi a rua do Outeiro que dá acesso à ponte da Freixa a primeira a ser pavimentada. A continuidade das restantes foi já na década de 80. O Presidente da Câmara Municipal dessa altura foi o Dr. Manuel Chaves Sobrinho Morais, mais conhecido no concelho, por Dr. “Neca” Morais, médico de profissão. Posteriormente, início da década de 90, é que a calçada dita “á portuguesa” na altura assente ao acaso começou a ser gradualmente substituída por paralelo ou cubo de granito e a primeira rua a levar o novo pavimento foi também a rua do Outeiro num dos vários mandatos da Junta de Freguesia presidida por Manuel Guedes.

Anteriormente à década de 80 e do início dos trabalhos de colocação da tal pedra transportada dos montes e de saibro nas irregulares ruas e largos da aldeia, era costume as pessoas colocarem mato e palha para se poder passar devido ao irregular piso e à muita água que chovia nas estações de outono e inverno. Esse mato, com alguma palha à mistura, era colocado depois de curtido em moreias que iria servir mais tarde de estrume para adubar as propriedades agrícolas.

O início do calcetamento da pavimentação em paralelos de granito da aldeia deu-se já num dos mandatos finais do Presidente da Junta Manuel Guedes, mas a restante grande maioria foi já na primeira e segunda presidência de Jorge Augusto de Castro, ou seja até meados da década de 2000.

A rua dos Olharigos que liga os bairros do Sobreiró ao do Ciprestes foi melhorada pela primeira vez por volta do ano de 2000, ou seja, no início da presidência da Junta de Jorge Castro. Foi um pouco alargada no início da rua do Sobreiró por cedência do terreno dos herdeiros de Laudemira Cunha Ferreira (Cagigal) perto da bica e reparado o pavimento com colocação de saibro e pedra lascada em tosco. Em Agosto/Setembro de 2016, na presidência da Junta de Miguel Neves, foi novamente intervencionada a nível do pavimento, com colocação de paralelos de granito e condutas de passagem da água da poça e outras para rega de propriedades e desvio do excesso e de pluvial para o regato. Foi ainda alargada um pouco a curva junto à poça e fonte, por cedência de Julieta Videira.

Ainda nesse mesmo mês de Agosto de 2016, foi alargado um pouco a entrada no início da rua da Fontela do bairro Sobreiró junto à estrada para melhorar não só o acesso, mas também  e sobretudo a visibilidade de quem pretenda entrar e sair, por cedência de cerca de um metro e tal de parte de uma pequena dependência que serviu antigamente de alambique de Alice Fernandes, agora dos herdeiros, e de cerca também um metro de terreno do quintal da casa de Zita Domingues Pessoa, destinado a passeio.

Em Setembro de 2016, a travessa da rua da(s) Escola(s) perto destas antigas instalações escolares que tinha o pavimento em areia e cimento um pouco desnivelado e escorregadio, recebeu melhorias de acesso e pavimentação em paralelos de granito.

 

Largo do Bairro do Sobreiró:

A requalificação e ampliação do (agora chamado) “Largo do Sobreiró”, antiga eira de malhar cereal até à década de 70, deu-se em 2008/2009, na presidência da Junta de Freguesia de Jorge Augusto de Castro, penso que no último dos seus mandatos. Uma dependência muito antiga que serviu antigamente de palheiro e pertencente à casa agrícola da minha avó materna Laudemira Ferreira “Cagigal” vendida á Junta de Freguesia por sua neta Aglai Neves foi demolida para dar lugar à ampliação desse bonito espaço.

O piso do chão, edificado pela natureza em fragaredo tosco  muito desnivelado que  também suportava as paredes exteriores do imóvel demolido foi desbastado, nivelado e calcetado, dando um aspecto urbanístico bastante diferente ao espaço, contribuindo também de alguma forma para uma melhor qualidade de vida das pessoas, particularmente dos moradores vizinhos, que a partir dessa altura também já lhes foi possível transitar com melhor qualidade e até com viaturas na rua/travessa que vai dar à antiga farmácia e estrada, anteriormente impensável dado o irregular pavimento e desnivelamento do piso.

Lembro-me de muitas festas anuais feitas nesse largo até meados ou final da década de 80 para comemorar os Santos populares, particularmente o São Pedro, divertimentos organizados principalmente pela saudosa senhora Glória Fernandes, pessoa alegre, com certo jeito para isso e entusiasta como ninguém, bem assim como outros espontâneos bailaricos nos fins-do-dia ou princípio da noite de verão a toque de gira-discos, gravador e até de rádio que aí se realizavam.

As escadas da casa de habitação outrora dos meus bisavôs maternos José Cunha e Ana Teresa Ferreira, mais tarde alugada pela minha avó Laudemira à saudosa senhora Albertina que vivia com o seu filho Carlos, mulher humilde, muito alegre e divertida e com bastante sentido de humor,  era o assento cómodo de descanso dos mais idosos que assistiam sempre com sorriso rasgado na face a esses tais divertimentos populares, alguns deles nem que fosse a toque de gaita ou realejo. Recordo aqui também outras pessoas que aí residiam e com porta virada para a eira/largo: Família Mairos, senhora Augusta Silva e ainda ao lado a senhora Brasilina e sua neta São e os do interior do pátio, tudo gente boa, de bem e bonita de alma, assim como tantos outros que residiam também perto.

O secular cruzeiro que também ajudava a embelezar a cascata da festa desse Santo popular é que já não se encontra no mesmo local de antigamente, ou seja, junto à parede arredondada do antigo palheiro com a esquina da fachada da porta carral da entrada do pátio dos Fernandes, entrada essa, que sofreu obras de alargamento e algum melhoramento em Novembro de 2014.

Quando passo nesse saudoso largo do meu bairro de nascença e crescimento, chamado de “Eira” no meu tempo de criança e juventude, vêm-me logo à memória as inúmeras brincadeiras diárias dos cerca de vinte anos lá passados, principalmente as partidas de futebol de rua, em que uma das balizadas era a porta carral do pátio dos Fernandes, tempo em que a bola de trapos ainda chegou a fazer parte do jogo.

De igual modo, a boa lembrança dos vários jogos tradicionais populares realizados por rapazes e raparigas da minha geração, “ganapada” como alguns diziam, que nesse tempo eram aos montões e que davam vida, cor e alegria ao meu/nosso bairro do Sobreiró, local onde todos nós era-mos muito felizes com pouco ou mais que nada, tal como as crianças e a rapaziada dos outros bairros. Companheiros de muitas brincadeiras e de grandes aventuras.

Rapazes só desse bairro nascidos em 1956: Amílcar Rôlo (lilo), Paulino Ervões, Alexandre Mairos, Helder Barrosão, Gilberto Cardoso,  Vicente Vergueira, Manuel Contins e Helder Teixeira. Todos nascidos em casa com ajuda de mulher parteira da aldeia. Só a partir da década de 80 é que as mulheres parteiras das aldeias deixaram de ter essa importante e nobre tarefa de ajudar vir ao mundo. A minha foi a saudosa senhora Palmira, à data criada responsável da casa paroquial no tempo do padre João dos Santos Ferreira. A partir dessa década foi passando progressivamente para a responsabilidade dos hospitais próximos, onde a mortalidade à nascença foi diminuindo significativamente.

Lembro-me de muitos – Rapazes: Malha; Cabra-Cega; Peão; Bilharda ou Ferrolho; Botão; Trinca-cevada; Rou-rou (Escondidas ou Escondidinhas; Férrinho ou Espeto; Pincha-Carneira; Eixo; Buraquinha(o); Mata; Rodinha; Bola (que normalmente era trapos, mas escassamente lá ia aparecendo uma ou outra de plástico ou borracha),etc.

Raparigas: Cordas; Macaca; Pedrinhas ou Boldegros; Jogo do Lencinho; Cama do Gato Eixo; Pincha-carneira ou Trinca-cevada; Jogo do Galo; O Mata; Os Milhinhos; Cabra-cega; Rou-rou ( Escondidas ou Escondidinhas), “mais tarde os Elásticos”, etc.

Recordo aqui os “rapazes” do meu tempo nascidos em 1956 e residentes nesse bairro, onde eu também me incluo: Amílcar Rôlo (Lilo); Paulino Ervões; Gilberto Cardoso; Alexandre Mairos; Vicente Bergueira; Helder Barrosão; Eurico Fontoura; Manuel Contins e Hélder Teixeira. De todos só o Vicente e o Hélder é que não nasceram no Sobreiró.

Enfim, excelentes e nostálgicas memórias e sentimentos de um bom passado vivido e compartilhado com os meus e minhas colegas de infância e até outros bastante mais velhos, que jamais irei esquecer.

 

Largo de São João:

Existia e ainda hoje  existe uma pequena fonte de mergulho com o nome de “ Fonte da Regaça ”. A água dessa fonte só se destinava aos animais, e a que sobrava, juntamente com a do regato encostado, abastecia uma pequena poça térrea para lavar a roupa e ao mesmo tempo regar algumas propriedades agrícolas vizinhas a nascente. Actualmente (2015) e atendendo à escassez de chuva é raro o ano que a fonte não seca.

Em Junho de 1981, A Junta de Freguesia, com Manuel Guedes a presidir e coadjuvado por Augusto Ribeiro como Secretário e Adriano da Mata, Tesoureiro, requalificou esse espaço, com algumas obras na fonte, aterrou a referida poça e pavimentou todo o largo em cubos de granito, tornando-o, mais limpo, acessível e vistoso, chegando mesmo a organizar uma pequena festa de inauguração no dia de São João, onde não faltou a tradicional cascata, música, comes-e-bebes e leilão, baptizando o espaço com nome de largo de “Largo de São João”. A partir dessa data, passou então a chamar-se por esse nome.

 

Largo do Bairro dos Ciprestes:

Esse espaço, que agora se chama largo, foi até meados da década de 50 do século passado (XX) uma antiga eira de malhar cereais no tempo em que só se utilizava malhos para os debulhar. Foi propriedade privada de várias pessoas, local onde existiu uma pequena poça de água à superfície que servia para lavar roupa e que normalmente secava no verão. Ainda hoje é possível ver alguns sinais/vestígios marcados e/ou esculpidos nas pedras de marcações das confrontações das reduzidas áreas de matrizes prediais rústicas, propriedades de pessoas que abaixo identifico.

Dado o estado de alguma degradação do espaço, composto por um chão de fragas bastante desniveladas deixadas pela natureza, por volta do início dos anos 2000, a Junta de Freguesia, presidida na altura por Jorge Castro, aproveitando a construção da rede de saneamento para as casas de habitação contíguas, aterrou a referida poça e fez obras de pavimentação em todo o espaço, tornando-o mais bonito, limpo, asseado e espaçoso. A partir dessa data, foi tomado como propriedade pública com novo e único artigo matricial em nome da Junta de Freguesia.

Ouvi dizer ainda, que se chegaram a realizar nessa antiga eira até finais da década de 60, alguns bailaricos inicialmente com música tocada pela grafonola do senhor António Ribeiro, máquina de dar música lindíssima com um altifalante incorporado alto em forma de flor trazida por si do Brasil umas décadas antes, ultimamente já um gira-discos a pilhas de outros trazido por emigrantes de França, assim como também feitas algumas festas feitas a Santos populares, particularmente a São João e São Pedro, com as cascatas alusivas a ficarem encostadas à tal poça de lavar.

Chegou mesmo nesse velho tempo a haver uma ou outra vez alguma rivalidade bairrista sã entre alguns participantes dos bairros dos Ciprestes e Pontão, relativamente ao melhor convívio: apresentação da cascata, do festejo e do respectivo bailarico, mas que o do Ciprestes ganhou sempre, sobretudo por ter alguns lavradores mais abastados que ofereciam o vinho para todos os presentes, por gostarem desse tal bairrismo, entre eles, os senhores António Carlos Ribeiro, Alberto de Castro e Manuel Maria Pereira “Ti Vila-Real” como era mais conhecido, os mais beneméritos dessa oferta. Contaram-me também que na década de 1940 e 50 chegou por vezes a haver fogo-de-artifício no bairro dos Ciprestes e que os morteiros do Charrua de Vilarandelo eram tão fortes que chegaram a turvar um ou outro vinho nas pipas.

A bica de água potável que se encontra a poente no cimo do largo foi edificada pela Junta de Freguesia nos anos de 1985 ou 1986, presidida na altura por Manuel Guedes, mas só esteve ao serviço público não mais de meia dúzia de anos, ou seja, até à instalação e conclusão do ramal das águas ao domicílio.

Voltando às festas populares, também por volta dos anos de 1950, mas um pouco mais abaixo, ou seja, na rua em frente à casa agora da Dª. Marina Lopes Morais Soares realizou-se várias festas aos Santos populares organizadas pela sua mãe Dª. Zefinha Lopes, particularmente o São Pedro e até chegou a haver cordas com colchas dependuradas para embelezar a festividade e até um ano a actuação da banda da música de Sonim e de outros tocadores de instrumentos vários da aldeia. As cascatas faziam-se em frente à casa dela ou junto à casa da agora senhora Cândida Pereira.

Identificação das antigas árias prediais (privadas) rústicas de todo o espaço dessa antiga eira: “ Eira com uma Figueira”:

Matriz nr. 2754 – Alcina da Conceição Mata, 50 m2; 2755 – António dos Reis Moreiras, 50 m2; 2756 – Artur Augusto Pereira, 99 m2; 2757 – Maria Joaquina Vicente, 99 m2; 2758 – Manuel Mairos, 50 m2; 2759- José Joaquim Fontoura, 50 m2; 2760 – Irene Vaz, 90 m2; 2761 – Artur Augusto Pereira, 90 m2; 2762- Nada consta; 2763 – António Luís Pereira, 98 m2; 2764 – António Goneta, 98 m2 e 2765 – Maria Joaquina Vicente, 96 m2.

 

Largo(s) do Bairro Pontão:

O “Largo do Pontão” foi até ao início da década de 2000 um largo com área de superfície um pouco mais reduzida, e o início da rua que dá ligação ao pequeno Largo-de-cima também era bastante mais apertado.

A Junta de Freguesia, na pessoa do presidente Jorge Augusto de Castro, conseguiu sensibilizar a filha da terra, Dª. Helena Lobo Fernandes, a oferecer um pedaço do terreno contíguo, vindo a tornar esse espaço com uma requalificação diferente, mais bonito e bastante mais espaçoso. Mais tarde, e por proposta dessa mesma Junta, foi atribuído, e bem, o nome dessa ilustre senhora a essa pequena rua.

Recordo-me de inúmeros e alegres bailaricos para comemorar os dias festivos de Santos populares e de outros bailes domingueiros que se realizavam nesse largo até ao início da década de 80. De jovem, participei em muitos. Os gira-discos a pilhas e mais tarde a eletricidade (luz, como se dizia) rodavam os discos na janela ou cimo da escada da casa de habitação do senhor José Vaz (Estroina) e mulher Olívia, pais de Arlindo, Duarte, Manuel (mudo) e outros. Contaram-me, que alguns da época anterior, pertenciam a um ou outro tocador ambulante de aldeias vizinhas e que os punham a tocar e que até tocavam alguns deles realejo, acordeão, concertina e até gaita-de-foles, como, por exemplo, o Zé Benedito. Ainda, por volta de 1950 chegou mesmo a tocar no largo a Banda da Música de Nozelos, composta por pouco mais de meia dúzia de músicos.

Toda essa gente dava música por pouco mais do que nada; a remeia com o vinho ao lado é que não podia faltar! No início da década de 70 começaram a aparecer os primeiros gravadores de  música de bobine e a seguir os de cassete, mas eram menos utilizados.

Nessa secular casa de habitação e lavoura, anterior casa particular do padre abade João Ferreira, chegou a funcionar até finais da década de 50, uma alfaiataria, um posto de correio e, pouco tempo depois o primeiro telefone instalado na aldeia que era público, ambos negócios de Lafaiette Alves, e ainda, por algum tempo a seguir, a oficina de alfaiataria de Manuel Guedes, que também chegou a funcionar na casa ao lado que pertencia à senhora Palmira (anteriormente também propriedade do João e que lha doou em testamento) criada da casa paroquial no tempo do senhor padre João. Outra versão contada recentemente por um neto do falecido senhor Manuel de Castro (Ti Cruz) é a seguinte: que essa casa foi doada à igreja por duas tias do seu avô que não tiveram filhos. Contudo, não tenho a certeza desse feito, tendo em conta que a versão que sempre se ouviu falar na aldeia foi que pertenceu antigamente ao senhor padre João. Até porque foram os herdeiros do padre a vendar passados poucos anos a casa ao casal José Vaz e mulher e o povo nada contestou.

Também nessa mesma época e na casa ao lado da Dª. Helena Lobo, junto ao largo e início da rua e em ruínas há várias décadas, foi ainda uma forja do ferreiro senhor António Morais, António Pedro como também lhe chamavam. Na década de 80 chegou a existir também nesse largo do Pontão, mais propriamente no rés-do-chão da casa que pertenceu aos herdeiros de José Joaquim Rolo, uma peixaria de sua neta Manuela, e ao lado, a casa de habitação do último Regedor de Santa Valha, Artur Domingues Gonçalves, conhecido respeitosamente por Artur Feijão ou Artur Bombinho, tendo exercido esse cargo com muito respeito e dignidade de 1968 a 1976.

O pequeno Largo-de-cima, uma grande parte com semelhanças de ter sido antigo pátio, perto do início da rua/caminho que vai dar ao lugar das Lages, composto por um antigo chão de fragas bastante desniveladas, foi também arranjado, nivelado e calcetado nessa época, vindo-o a tornar o espaço com melhor qualidade de vida para os residentes e tornado definitivamente público. Aí existiu até ao fim da primeira década de 1900 a primeira escola de ensino da nossa terra; era particular e tinha o professor Moutinho como professor numa divisão da sua própria habitação. Foi ainda largo de oficinas de alfaiates, uma de Fernando Mosca Pires até finais da década de 60 e outra de António (Toninho) Carneiro até ao início da década de 70 e também de sapateiros, de Francisco Borges (Magrinho-Boica) até finais da década de 60. Desconheço se José Carvalheiro, antigo sapateiro na aldeia, que residiu lá até a essa época, se chegou, ou não, a fazer consertos de calçado na sua própria casa.

O chão desse mesmo largo foi até finais da década de 60 ou início de 70 rasgado por um rego de água que vinha do regato do Cesteiro e Lages para regar propriedades agrícolas mais abaixo, não só junto à (agora) estrada, como também de toda a Abadia Paroquial. Era nesse pequeno largo que a água de rega que entrava e passava no lameiro do Senhor, atravessava o caminho até descer por um rego ou agueira nas propriedades do lado de acima desse mesmo caminho até à porta de entrada da casa da antiga escola  se dividia em duas regas, uma delas passando pela casa da senhora Alice Fernandes e a outra descia rua abaixo passando pelo Largo-de-baixo e cruzamento das duas ruas até (à mais tarde escola-primária) entrar na cortinha da Abadia.

Antigamente o Largo do Pontão era conhecido por todos, por “Largo do Eiró”, mas hoje, só os mais velhos se recordam de lhe chamar por esse nome, provavelmente por se malhar nesse espaço cereal. A Matriz Predial  com o artigo matricial nr. 3577 da Freguesia de Santa Valha, diz pertencer à Junta de Freguesia e que esse local “EIRÓ” de logradouro público com 290 metros quadrados de superfície foi inscrito na criação da matriz no ano de 1960. Ainda há algumas pessoas que confundem o Largo do Eiró com o espaço do cruzamento da rua que vai para a fonte um pouco mais abaixo.

O significado da palavra “Eiró” é o seguinte: eira térrea de malhar cereal. De todos os largos da aldeia, o do Eiró/Pontão, era realmente o único de piso térreo. Os restantes eram todos lajeados pela natureza. De jovem, recordo-me perfeitamente de algumas pessoas malharem cereal (centeio/pão) e de outros produtos da lavoura em todos eles. Certamente que na época dos malhos e de outros auxiliares artesanais terão sido mais utilizados.

O pequeno cruzamento mais abaixo que vai dar à fonte era o local onde os ferradores costumavam ferrar os animais mais pequenos de trabalho. Bem perto, nas traseiras, espaço agora de António Feijão e esposa Laurinda Picamilho, chegou a existir também um “tronco” que servia para ferrar e apalpar (olhar como se dizia) os animais de maior porte, particularmente os bois. Também nesse pequeno espaço foi até meados da década de 60, local da barbearia de Toninho Vieira em três lugares diferentes e ainda a oficina de alfaiate de Manuel Guedes, na antiga casa da Dª. Tute que pertence agora a António Araújo e esposa Maria do Carmo.

Todos esses nostálgicos três espaços e outros de toda aldeia foram antigamente locais cheios de vida, onde a criançada e os mais adultos, rapazes e raparigas de todas as idades apareciam por todos os cantos dando-lhes aquela cor e alegria que hoje já não existe. Vêm-me ainda à memória, com alguma emoção, as partidas de futebol que lá se realizavam feitas com pequenas bolas de farrapos e mais tarde de plástico ou borracha que escassamente lá iam aparecendo, bem assim como os diversos jogos tradicionais populares, onde eu também me incluía na maior parte deles.

Foram bons tempos, de um tempo de infância, mais tarde juventude, em que todos se sentiam alegres e felizes com muito pouco ou até mesmo nada, não havia interesse e tudo era simples para todos.

 

Eira/Largo de Santa Maria Madalena:

O largo do bairro da Madalena, hoje denominado por Santa Maria Madalena, rompido pelas ruas da Amoreira e travessa da rua e – quinhentista – capela de Santa Maria Madalena foi até finais da década de 70 do século passado – XX – uma eira pública de malhar cereal com o chão lajeado pela natureza de alguma irregularidade e muito desnivelado, tendo até meados dos anos 50 no cimo junto à estrema norte como vizinho um enorme sobreiro particular, que me disseram, dar um carro de bois carregado de cortiça, bem esse, que foi umas décadas antes propriedade da Abadia Paroquial, tal como dois outros por perto e muitos mais na Cerca do lado de lá da estrada, mas a história foi outra, como diz o povo, particularmente a de uma longínqua venda envolta em mistério.

No final dessa mesma década de 70 foi esse espaço bastante mais encurtado devido à construção da central telefónica existente, vindo, desse modo, a alterar e substituir para melhor a rede da linha de comunicação antiga que serve várias localidades do nosso concelho.

A pavimentação em cubos de granito e de algum arranjo urbanístico deu-por por volta de finais da década de 90, conjuntamente com as restantes ruas de todo o bairro.

Para além da importante utilidade de malhar cereal de então, particularmente de centeio, não são conhecidos outros factos antigos passados de memórias e datas de interesse como acontece em outros largos dos restantes bairros da aldeia, nomeadamente festejos, bailaricos populares ou outros, provavelmente por se tratar de um bairro mais novo, muito mais pequeno e habitado outrora por gente bastante mais pobre e necessitada. Só a partir dos anos de 1975 é que esse pequeno bairro começou a expandir-se e desenvolver as suas infraestruturas devido à construção das habitações dos nossos emigrantes e do regresso dos retornados/espoliados das nossas ex-colónias africanas, vindo a torna-lo hoje bem diferente, se bem que o menos histórico, mas o mais amplo, moderno e vistoso.

Recordo-me muito bem, de junto dele, mais propriamente no início da rua da Amoreira, se encontrar de pé até perto de finais da década de 70 uma secular enorme e frondosa velha amoreira do senhor Francisco Mofreita que não tinha muros nem vedação e sempre ao dispor do povo, cujo fruto aliviou e de que maneira o estômago a muita juventude, sítio onde era costume até meados da década de 80 alguns homens e rapazes mais velhos divertirem-se em tardes de domingo e dia-Santo a jogar o fite e irem beber uns copos de tinto dessas renhidas partidas ao comércio/taverna dos falecidos e saudosos Adelaide Estorga e António Teixeira.

 

Lugar e Curva das Adufas.

Já várias pessoas se questionaram sobre a existência desse nome, “Adufas e Curva das Adufas”, ou melhor: Porque chamam a esse lugar emblemático da nossa aldeia, por esse nome? Perguntei aos nossos mais velhos, mas ninguém me conseguiu explicar o motivo. Só sabem dizer que sempre se recordam de ouvir falar por nome Adufas e que era antigamente um pequeno local de cruzamento de caminhos mais estreito, onde assentou um cruzeiro até ao início dos primeiros anos de 1980, em frente, a antiga escola primária das raparigas até 1959, depois mista até 1962, e uma curva da estrada muito apertada em direcção à praça, onde, com muita dificuldade, passava uma pequena camionete e costume das pessoas de outrora se reunirem para conversar um pouco do dia-a-dia e de uma ou outra escassa novidade.

Foi então ao dicionário saber se existia, ou não, a palavra “Adufa” e qual o seu significado. Verifiquei então, que para além de outras, esse termo, pode definir: canal para escoamento de água ou escoadouro nas ruas para águas da chuva.

E é mesmo isso que efectivamente identifica o nome desse local. O nome “Adufas e Curva das Adufas” remontarão aos anos de 1932/1934, data da construção da estrada e da adufa ou aqueduto que ainda existe para escoar as águas da chuva a montante, se bem que já não está actualmente construída(o) da mesma forma. As duas entradas que se uniam subterraneamente no centro da estrada a uma única saída da água junto ao muro divisório do falecido senhor João Pedrinho e casa de Fernando Barreira ainda se conserva no mesmo local. Em 1976, data do alargamento da estrada e dessa apertada e estreita curva por derrube de parte das dependências das alas poente e sul da residência paroquial (Abadia), entre outras, a antiga escola primária, a cozinha e as salas do tear e da sopa dos pobres, esse escoamento de águas pluviais, inicialmente construído todo ele em pedra de granito trabalhado foi demolido e construído o que hoje existe em maninhas de areia, ferro e cimento, bastante podre de estética nas entradas da água.

Também o outro aqueduto ou adufa com uma sarjeta ou sumidouro que existia um pouco mais abaixo, mais propriamente desde o cimo do adro da traseira da Capela/fundo da parede do senhor João Fernandes (Pedrinho) ao fim da praça e com saída junto ao muro do adro da igreja, destinado a escoar as águas que vinham de montante, foi demolido nessa mesma altura de 1976.

Contou-me António do Patrocínio Teixeira que já conta 87 anos de idade, mas ainda bom conversador e portador de excelente memória, que antes da construção ou rompimento inicial da estrada, existia nesse local (início da curva das Adufas) um pequeno caminho até à praça bastante apertado, irregular e até acidentado, onde só cabia um carro de bois, caminho onde alguns lavradores costumavam fazer no inverno estrume de mato e palha para adubar as suas propriedades agrícolas, assim como também em parte do largo da praça.

E é este o significado do nome do local  “ Curva das Adufas ”.

 

Pavimentação das Ruas  em Paralelo de Granito e Saneamento Básico:

A pavimentação das ruas e largos da aldeia em paralelos de granito teve início na década de 1990, e a conclusão deu-se já em 2009. Quanto ao saneamento básico, as obras iniciaram-se em meados da década de 1980, e a conclusão, foi no princípio da década de 2000, já na Junta presidida por Jorge Castro. Porém, a conclusão da pavimentação em betuminoso da  rua do  bairro do Sobreiró de Cima que dá acesso à estrada, só foi concluída bastante mais tarde, Setembro de 2011.

 

Estradão do Monte do Ermitão ou Monte Cerdeira/Semuro:

O rompimento deste estradão deu-se no início da década de 1980. Os trabalhos foram efectuados com a ajuda de um caterpillar e outras máquinas, vindos da Engenharia Militar do Exército de Espinho. Anteriormente as propriedades agrícolas do Semuro, Ermitão, Rachão, Avessada, Penada, Monte Cerdeira, Sendim, Castelo ou Vale das Lousas, eram servidas por caminhos muito sinuosos e ruins, todos eles muito trilhados pelas rodas de ferro dos carros de bois e de outros animais de trabalho.

Os dois principais: o que passava junto às Poças da Avessada (estrada de Pardelinha), e o que se iniciava no lugar da “Cruz ou Cruzeiro” junto à Capela de Senhor da Boa Morte, cruzamento com a estrada de Fornos do Pinhal, passava acima junto à Fraga da “Lósmia” perto do Castelo, e que, um pouco mais à frente, ligava à aldeia de Monte de Arcas, que ainda hoje se continua a manter.

Ainda é possível ver nestes velhos caminhos, as marcas trilhadas e esculpidas lentamente nas rochas, que as rodas (rodeiros) dos carros dos animais de trabalho fizeram, ao longo das centenas de anos, nomeadamente dos inúmeros carros de bois, carregados com molhos de centeio para serem malhados nas eiras da aldeia.

 

Tanques de Lavar Roupa:

Até finais da década de 1970, ou início de 1980, só existia na nossa aldeia, um tanque público de lavar a roupa propriamente dito. Esse tanque de lavar encontrava-se situado no Bairro dos Ciprestes, junto à fonte do Vilar.

A maioria das pessoas lavavam a roupa, ou em “poças térreas” públicas, com água fornecida pelas fontes de mergulho, que também servia para regar as propriedades agrícolas, como a dos olharigos, no bairro do Sobreiró, ou em poças existentes no leito do ribeiro que atravessa a aldeia e que raramente secava, particularmente dos bairros do pontão, Santa Maria Madalena e Freixa.

Em finais da década de 1970, nem mesmo o tanque do Vilar estava a funcionar como lavadouro, chegando mesmo parte da sua estrutura a ser destruída e soterrada, quando da canalização da água para as bicas do Vilar e da Praça, por volta de 1966, no tempo da presidência da Junta de Freguesia de Manuel Lopes, de alcunha na freguesia por “Amândio Lopes e Estoura”.

Amândio Lopes tinha regressado pouco tempo antes da ex -Colónia Ultramarina de Angola já na situação de reforma dos Serviços Florestais, pessoa de elevada estatura física, altivo para com os seus munícipes e alinhado e defensor acérrimo do regime ditador de então, que não deixou amigos a não ser alguns (poucos) familiares, muito menos recordações de nostalgia na nossa freguesia, atendendo sobretudo ao seu temperamento e forma como lidava com o povo, por vezes prepotente, arrogante e até agressiva com muitos deles, sobretudo os mais pobres e desprotegidos que eram grande a maioria, que marcava as pessoas que o contestava para futuras represálias.

Ainda se ouvem hoje em dia vários episódios pouco felizes passados no tempo desse senhor, que representou o nosso povo -no tempo da ditadura- desde 1964 a 1968, indigitado e eleito por alguém, menos pelo povo. Quase todos os mais velhos da nossa comunidade têm uma história ou peripécia desse senhor para contar.

Por volta de 1980, volvidos seis anos do início da democracia e do voto popular e da entrada já de algum dinheiro público nos cofres da Junta, começou então a surgirem algumas obras já anteriormente reivindicadas pelo povo para uma melhor qualidade de vida das pessoas, como, por exemplo, a construção dos tanques de lavar mais necessários e urgentes dos bairros do Pontão, Ciprestes, e Freixa, onde o ferro, cimento e areia já começava em força a fazer parte das edificações. Benefícios públicos da junta de Freguesia presidida por Osvaldo Fernandes Ribeiro.

Mais tarde, início da década de 2000, a Junta de Freguesia, presidida por Jorge Augusto de Castro, construiu o tanque do Br. do Sobreiró, e em meados desta década (2000), demoliu o tanque fabricado em tijolo ou bloco e cimento do Br. dos Ciprestes (junto à bica) e construiu um novo, no mesmo local, com toda a estrutura de pedra do antigo tanque que estava soterrada, se bem que alguma ainda lá ficou, como a da canalização da água da fonte para o lavadouro, e uma grande e bonita pia onde os animais de trabalho bebiam.

Nesse mesmo tanque, por volta de (+-) 1964, morreu afogada uma criança com dois anos de idade, de nome José Américo Moreiras, filho do falecido Amadeu Moreiras e de Florinda dos Anjos, irmão de: Ricardo, Marina, Filomena e Zé Moreiras, do mesmo bairro.

Na rua dos Olharigos, mesmo junto à parede frontal casa dos herdeiros de Manuel do nascimento Barreira, existiu até por volta da década de 80, uma pequena poça térrea de lavar a roupa, cuja água para alimentar essa poça vinha do interior da quinta, passado pelo páteo da habitação através de pequenas caleiras construídas em pedra e ainda outra no tempo mais fresco que vinha pelo caminho abaixo das propriedades a montante e/ou poente.

 

Armazém da Junta de Freguesia:

O armazém da Junta de Freguesia, localizado no bairro da Maçaira ou Maceira junto ao campo de futebol, foi construído por volta de 2005 ou 2006 pela Junta de Freguesia de então presidida por Jorge Augusto de Castro, destinado a recolher bens pertencentes á Freguesia. A área ou superfície do espaço coberto poderia ter sido maior, e hoje, esse erro, é reconhecido por todos.

 

Casa Mortuária:

Em Abril de 2016, a Câmara Municipal, a pedido da Junta de Freguesia presidida à data por Nuno Miguel Pereira Neves, adquiriu a casa de habitação, dependências, pátio e quintal de Alexandrina Leite Fernandes, situada no bairro do Sobreiró junto à Avª. Principal, antiga casa de habitação e de lavoura de seus pais, para dar lugar à futura instalação da Casa Mortuária.

Com essa importante e necessária edificação a Capela de São Miguel deixou, e bem, de continuar a exercer a importante tarefa de culto fúnebre que vinha a acontecer progressivamente desde finais da década de 1990 e há uma década para cá na totalidade, tendo em conta que passou desde esse tempo a deixar de ser hábito em todo o lado velar os mortos em casas particulares.

A falta de condições da capela de São Miguel, entre eles, espaço exíguo com muito pouco conforto e até mesmo alguma degradação- já bem notória- da talha dourada do Altar-mor, devido sobretudo às utilizações com concentração de muitas pessoas no interior quando dos velórios fúnebres, pesaram em muito na intenção e na urgência.

Para além da construção do imóvel dotado de todas as infraestruturas e de uma dependência  de arrumos na traseira, deu-se também o alargamento significativo da apertada e perigosa curva que existia desde a construção da estrada em 1934. A demolição da maior parte do muro frontal, a construção do jardim e de um espaçoso passeio pedonal, vieram a acrescentar mais dignidade à obra.

O investimento total da Autarquia: aquisição, construção, equipamento e mobiliário foi superior a 135.000 euros.

O início da construção que estava previsto para o início de Novembro de 2016, só começou em Abril de 2017 e a conclusão (muito demorada por parte do empreiteiro) deu-se em Julho de 2018 com Carlos Alberto Dias Vieira na presidência da Junta de Freguesia.

A primeira utilização fúnebre ou velório deu-se a 12/12/2018 com o falecimento no dia 10 em Espanha de Artur Mourão Fontoura; segunda, a 19/01/2019 com o falecimento de Manuel Guedes, ex-presidente da Junta de Freguesia.

Já estamos a 18 de Abril e a inauguração oficial ou solene ainda não se realizou.

Foi uma importante mais valia que a Junta de Freguesia e a Autarquia colocou ao serviço dos Santavalhenses para que possam velar os seus ente queridos, num momento tão difícil como a morte.

 

Parque de Recreio e Laser:

O terreno destinado ao “Parque de Recreio e Lazer” foi adquirido pela Junta de Freguesia na Presidência de Carlos Vieira à herdeira da falecida Maria Raquel de Barros Alves – ex- professora do ensino primário/1º. Ciclo – pelo montante de 32.000€ com o apoio substancial (25.000€) da Câmara Municipal. Anteriormente pertenceu ao seu primo (Dr. Notário) Luís Lopes. A escritura lavrada no Cartório Notarial de Valpaços deu-se a 05 de Agosto de 2019.

O orçamento da primeira fase de construção da obra, da responsabilidade da Autarquia, foi a concurso por 154.000€ e o início dos trabalhos deram-se em finais da segunda metade do ano de 2021.

A primeira das duas fases de construção ficou concluída em Agosto de 2022, onde em 6 de Agosto desse ano se realizou uma festa convívio com o título “Recepção ao Emigrante” promovida pela Comissão de Festas.

O primeiro torneio de Futsal lá realizado deu-se de 08 a 13/15 de Agosto integrado no cartaz das festas em honra de São Caetano, com o título “II TORNEIO DE FUTSAL – SANTA VALHA”. Deram o pontapé de saída, o Presidente da Junta Carlos Vieira e o Vereador Municipal de Urbanismo e Ambiente, Engº. Jorge Manuel da Mata Pires, nosso conterrâneo. Também lá se realizou nessa mesma semana algumas festividades enquadradas no programa das festas em honra de São Caetano, nomeadamente o baile de arraial.

De referir que os comissários da festa foram (só) mulheres.

São duas as fases de construção do projecto: 1ª. fase (já concluída) = Nivelamento do piso, construção do campo de jogos e das bancadas, pavimentação – 2ª. fase: Construção de Wc`s, bar de apoio, parque infantil e limpeza da ribeira. O concurso orçamental da segunda fase previsto para o primeiro semestre de 2023 rondará o montante da primeira, ou até mesmo um pouco acima. Tudo leva a querer que o início dos trabalhos desta última fase dar-se-ão lá para o Outono de 2023 e a conclusão lá para finais de 2024.

Stª. Valha, 2023.

Santa Valha, dados colhidos entre os anos de 2008 e 2018.

Amílcar Rôlo